Comentários à dissertação de Ciro Amaro[1]
Anedota ilustrada, à
guisa de epígrafe:
“Eis que eu passeava
em sossego
pela Quinta Avenida
de NY,
quando vi essa placa
de refinada
rotisseria francesa,
com finos biscoitos,
e me lembrei da
mística de Bergson
e da dissertação de Ciro
Amaro.”
(B. Borges, agosto
de 2025)
Este texto poderia ser uma carta
pessoal e não chega a ser uma resenha, pois não foi encomendada por um
periódico. Todavia, não é a primeira vez que me ocupo – com prazer – de
divulgar um texto ainda inédito, pelo menos em versão impressa. Publiquei uma
resenha padrão de um livro de Ian Hacking, ainda não traduzido para o
português, à altura. E creio que tal gênero acadêmico cumpriu o papel de
divulgar as ideias e, quem sabe, incentivar a divulgação da dita obra em nossa
língua.
No caso da dissertação de Ciro
Amaro, o que se segue é o registro de um capítulo de nossas conversas, desde a
época em que ele foi aluno da graduação em filosofia, na UFU. E sempre
conversávamos na sala do café e nas reuniões de departamento. Ele sempre foi,
além dos conteúdos da filosofia, um grande leitor de temas da política, da
história, geopolítica, bem como um conhecedor da história da Igreja e dos
rituais e instituições do Vaticano.
Ao longo das 160 páginas da
monografia, que li com atenção e curiosidade, aprendi muito sobre Bergson. Aos poucos, fui reconhecendo temas e debates
da filosofia no século XX e, como eu supunha, pude rever algumas querelas da
filosofia especulativa continental e da filosofia analítica em termos da
novidade do vitalismo e da abordagem que admite a intuição como
via do conhecimento e da compreensão mútua.
Mas, repito, aprendi muito com
essa leitura, pois nunca havia lido demoradamente nenhuma obra inteira de
Bergson. Durante minha formação, minha atividade docente e minhas pesquisas de
pós-graduação, simplesmente nos desencontramos, Bergson e eu. Recentemente,
após me aposentar, passei a ler autores e sobre autores diversos, que me faziam
falta, de modo que o texto acadêmico aqui considerado contribui para essa
“formação continuada” de minha pessoa e de meu repertório. Por exemplo, li as
páginas encantadoras de Bachelard e o incrível livro A visão de Deus. Não por coincidência, presenteei recentemente Ciro
Amaro com o exemplar da bem cuidada edição dessa surpreendente obra de Nicolau
de Cusa, pela editora Calouste Gulbenkian.
Foi uma grata surpresa saber,
através dessa dissertação, que Bergson foi agraciado com um prêmio Nobel
de...literatura. Deixarei para comentar depois sobre a pertinência e a ocasião
histórica dessa conquista duradoura para o nosso campo, a filosofia.
Este texto – que poderia ser mais
uma boa e longa conversa com o novo
mestre, na sala de nosso verdadeiro cafezinho “filosófico” – é um singelo e despretensioso apanhado de
notas de leitura e emparelhamento de autores e temas, que deixarei listados a
seguir, sem me preocupar com ordem ou sistemas. Mas, mesmo que eventualmente
alguma passagem se pareça com aquela livre associação entre fulano e beltrano,
defendo a abordagem que parte das afinidades e que traduz uma terminologia em
outra, sem reduzi-las. Pois creio e professo que a filosofia só sobrevive no
modo humilde, de quem conversa com as ciências diversas e as variadas artes.
INTRODUÇÃO
É muito animador constatar que o
recuo histórico ocupa apenas cinco linhas e logo se vê o leitor no campo
semântico, cercado de temas e balizas para a viagem que o aguarda. Esse
vocabulário, carregado de termos de certa psicologia das sensações já abre
caminho para as emoções e a experiencia estética em sentido amplo e generoso:
contemplação, angústia, mistério, oculto, consciência. Mas esse palavreado
ganha carne ao ser remetido ao contexto da vida, da gênese vital, onde se dá o
embate entre matéria e espírito.
A primeira citação de um trecho
de Bergson já o caracteriza e distingue bem, pois a dualidade acima referida –
e que serve de desculpas para inibir o desvelamento – é traduzida em outros
termos (“consciência e materialidade”), elevando o nível da conversa. Mais que isso, há um
grande avanço na reflexão desse pensador e militante francês, expresso na noção
de “arranjo” entre as duas formas – dentro de um modus vivendi – e isso
é já uma alternativa às doutrinas e sistemas que pressupõem uma conciliação.
Em outros contextos e outras
intenções – todavia na mesma metade de século – também Wittgenstein e Gadamer
se valeram de categorias parecidas, sob o termo “jogo”. E isso situa Bergson
também como inovador filósofo capaz de uma teoria da ação, visto que “a
mística é um processo de criação, cujo método intuitivo de acesso se dá a
partir da experiência do místico e do seu agir no mundo” (p. 12, aqui e
adiante remete-se à dissertação em apreço). E, em termos de composição do
argumento, eis que já fica assim planteada a tese que reúne mística e intuição.
E, de novo, procede o lance
brusco, pois também o engenheiro austríaco, autor do Tractatus Logico-philosophicus
entrou de sola e sem avisar com mais um versículo em staccato, como
alguém observou: “há por certo o
inefável. Isso se mostra, é o místico” (TLP-6.522) E isso, sem escandalizar
quem aponta contradições internas, nos ajuda a... não nos calarmos
diante do que não se pode falar.
PRIMEIRA PARTE : VIDA DE BERGSON E NOÇÔES
PRINCIPAIS USADAS POR ELE
O primeiro capítulo da
dissertação traça rapidamente um panorama das transformações sociais na Europa
desde meados do século XIX até inícios do seguinte. A ciência, a técnica, a
guerra e outros negócios marcaram essa época, bem como a psicologia – que
abriria um novo mundo também para as ideias e abordagens de homem e humanidade.
E foi, segundo li, justamente aí
que entrou Bergson como “um novo pensador” para investigar justamente o homem e
sua presença no mundo da vida. Adianto já, com entusiasmo, que esse
conceito será retomado por Habermas, na linha alemã, como Lebenswelt, por
oposição ao sistema. E não concordo com a tradução alternativa – mundo
vivido – pois a disciplina de fundo não é a história nem o particípio
passado... O vitalismo mira adiante e pode inspirar uma teoria da ação, penso
eu, e creio que não fujo das teses de Amaro.
Bergson é um desses raros
autores, cujo quadro categorial foi relativamente assumido pela linguagem
acadêmico e artística. Por exemplo, a expressão “elã vital”, tão cara à
teologia progressista, por exemplo. Eu mesmo aplicava essa bela imagem
dinâmica, sem saber que era um dos fundamentos desse autor francês.
As distinções deixadas por
Bergson são geniais e úteis, além de “intuitivas”, se me permitem antecipar a
espinha dorsal do texto que comento. Por exemplo, o conhecimento cientifico
analisa e resulta da análise, ao passo que a intuição é o que convém aos temas e
problemas metafísicos. Mas, antes, nesse mundo dado dos “sólidos”, precede a
distinção entre inteligência e instinto – e é claro que nos misturamos com
ambas capacidades animais e espirituais aí implicadas.
Ora, a tese forte já se apresenta
logo como “a inteligência não consegue abarcar a coisa viva” (p. 24), pois fica
por fora, rodeando a coisa mas sem poder captar o movimento mesmo.
Voltando à provocação de nossa
estranha epígrafe acima, eis que Amaro escreva sem nos enrolar com preâmbulos:
“O real dura e a duração do real é a única constante da existência” (p. 25) e
com isso escapamos da mistificação, que é o recurso da retórica, por meio do
desvio e da linguagem figurada. Mas, logo nos deparamos nessa leitura com uma
ressalva, para não recairmos no positivismo enganoso: a duração não se mede
pelo relógio ou máquinas; participamos dela “através de uma multiplicidade de
estados internos” que, por sua vez, não podem ser deturpados nem reduzidos pela
espacialização. Creio que Kant gostaria de ver aonde chegaram suas noções de
espaço e tempo, enquanto condições de possiblidade de todo o conhecimento, na
estética transcendental...
Virtudes do texto de Amaro. Pois
já é, de início, notória a capacidade de exposição de Amaro, que, sem dúvida,
foi bem orientado em seu mestrado. O texto amarra muito bem uma seção à
seguinte e isso harmoniza bem com a maneira direta de entrar nos subtemas, sem
circunlóquios e desvios e promessa.
Por exemplo a sessão “1. 4
Intuição” começa por apresentá-la como o elo entre “todas as temáticas
trabalhadas por ele [Bergson] ao longo de sua vida e obra”, ou seja, como
decorrência de sua “nova filosofia, mediante uma nova metafísica”.
Muito oportunas as considerações
sobre “tradução”, ao para se satisfazer com as aporias de sua impossibilidade,
que tanto agradam a céticos e analíticos; Amaro utiliza-se dessa crítica (em
jargão popular, poderíamos aqui no
Brasil dizer que a ciência troca seis por meia dúzia ou apenas diz em grego os
nomes de nossas dores e ossos) para mostrar mais uma vez como Bergson mostrou
os limites da ciência, esse “meio muito restrito de conhecer”. (p. 29)
A defesa da metafísica em
Bergson, conforme a expõe Amaro, é bastante simpática e capaz de dialogar com
as novas disciplinas e visões de vanguarda: não se trata das coisas e entes,
mas sobretudo do movimento. E para isso encontra Bergson apoio tão
genuíno e original quanto o antigo Zenão de Eléia: uma metafísica que contemple
o fluxo, no alcance da duração (p.31).
Ora, essa imagem (dialética) do fluxo
aparece na obra de Walter Benjamin, como “turbilhão” – e é com esse termo
que ele fala sobre a origem da obra de arte; não no sentido histórico,
cronológico. Como não temos tempo aqui para conferir as datas dos textos de
Bergson e de Benjamin, mas podemos resolver isso de maneira elegante: ambos
tiveram a mesma... intuição.
Não se pode, todavia, permanecer
nessa imagem vertiginosa. E Amaro nos faz entender, inclusive com a ajuda do
português Martins, que os factos estejam submetidos à intuição, na função
invertida: eles corrigem e completam “os dados da observação interior”. Sim,
inversão em relação ao método hipotético-dedutivo, por exemplo, que parte das
conjecturas. E é bom também acertar nossa leitura com um bom leitor de Kant.
Deleuze, citado por Amaro, é categórico: “A intuição é o método do bergsonismo.
A intuição não é um sentimento, nem uma inspiração (...) e tem suas regras
estritas (...)” (p. 32)
Aliás, o próprio autor Bergson
declarou por ocasião do lançamento de As duas fontes..., em 1932: “tento
introduzir o misticismo na filosofia como processo de pesquisa filosófica”. (p.
37)
Há na dissertação uma seção para
avaliar o recurso didático da dualidade em Bergson. E também temos uma
ilustração do impacto de uma figura inspirada, além de seus escritos, que
atraía “seu público nas suas aulas”. Uma filósofa deixou seu testemunho de como
os ouvintes ficavam “suspensos à sua palavra eloquente e precisa”, pois a fala
de Bergson tinha o impacto semelhante ao da música, além de impressionar com
frases do apóstolo Paulo sobre o absoluto no qual nos movemos. (p.40)
O texto amarra conceitos da
moral, como obrigação, hábito, obediência e não passa ao largo das
analogias esperadas de uma vertente vitalista, ou seja, a relação entre
natureza e sociedade – inclusive com ilustrações oportunas de formigas e
formigueiros. Resultado: o homem é um ser vivo e a humanidade é um organismo...
social. E a vida do homem no mundo é “uma enorme rede ou teia”.
A distinção vem logo em seguida,
após essa bela imagem: as sociedades primitivas eram fechadas, por sua relação
com o instinto (social) – tema que não me cabe desenvolver aqui. Todavia, posso
destacar a contribuição de um comentarista: “A moral da sociedade fechada é
conformista, impessoal e estática. Baseia-se no costume e no preconceito. Cria
tabus e afoga a liberdade”. (p. 53)
A “sociedade aberta” é também
mais ampla, pois “nos revela como membros de uma comunidade global”. E a
construção dessa doutrina [termo meu] tem data, 1789, com as proposições da Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão. E Bergson apela a uma bela imagem
“não-linear”: tivemos que dar um salto. Pois não é uma diferença de
grau, mas uma mudança qualitativa. Na sociedade aberta, vigora “outra moral, é
o outro o gênero da obrigação, que vem superpor-se à pressão social”. (p. 55)
No que se segue, percebi uma boa
convergência entre Bergson e a noção de “razão instrumental” em Habermas. E
comemorei com lápis sobre a xerox ao ver um autor que sempre recomendei a todos
os estudantes universitários: Thomas S. Kuhn. Pois é disso que se tratava,
trinta anos, em Bergson: mudança de paradigma. Pontos adicionais a Mestre Ciro
Amaro.
A dissertação nos ajuda também a corrigir
equívocos que talvez a leitura preconceituosa e corrida pudesse produzir, pois
Bergson não esteve escrevendo um longo discurso homilético ou apologético do
tipo que passa de uma esfera a outra, por truques de retórica. Não é suave a
passagem da moral para a espiritualidade. E esse movimento não é um exercício
acadêmico do racionalismo especulativo continental... Bergson, conforme essa
recente dissertação, não se perde em regresso infinito nem circularidades. É
antes a vida que funda a moral e a religião, tout court.
Pela altura da página 65, Ciro
nos faz lembrar de um livro fabuloso: Homens representativos, de Ralph
Waldo Emerson. E creio que Alasdair McIntyre também teria essa reação, pois “a
moral absoluta que esses homens excepcionais possuem’ é um exemplo para a
humanidade...
E só me resta, ainda longe de
concluir, cumprir minha outra função com esta resenha, qual seja, a de motivar
meu leitor a ler o que interessa: a dissertação por extenso e as obras
referidas de Bergson e sobre ele. Para motivar tais candidatos a devorar o “volumoso”, jogo um suspense: eu percebi um
Saulo no meio do “exemplo” deixado no genérico Cristianismo e até me emocionei
com a voz triste de Renato Russo, em seu último disco de capa amarela.
A terceira parte da dissertação
recebe o adequado título “A mística e o que ela envolve”, pois o tema é
envolvente e a experiência mais ainda. Todavia, o jornalismo e o folclore
acadêmico podem também nos “envolver em confusões” e preconceitos. A nota 43
alerta contra a abordagem de caráter negativo, já insinuado no sufixo ismo. O
certo seria falarmos de religião e mística, sem o desvio pejorativo de
religiosidade e misticismo. Concordo com o programa de certa
fenomenologia que pregou o retorno “às coisas mesmas” e, no caso, aos
sentimentos e valores mesmos.
A esta altura da despretensiosa
resenha, última parte, cabe de novo elogiar o texto de Amaro pelas ressalvas
típicas de monografias: não nos propomos a esgotar o assunto; “não é algo fácil
de definir” (p. 68) e alguma outra expressão do gênero. A regra geral mira o
contexto da arguição e o protocolo da delimitação do tema, mas, em muitos casos
– como é o da apresentação da obra de Bergson – o recurso mesmo da definição
está sob suspeita. Como “definir” o infinito? E para que desenhar conceitos
para quem já se entende com noções?
Admitimos – e aqui creio que falo
por Amaro e por mim – que a experiência mística, tão próxima da experiência
estética, como na fulguração ou na “fusão de horizontes”, é da esfera íntima e
nem sempre passível de expressão verbal articulada. Por exemplo, para citar de
novo Wittgenstein, o mais genuíno “juízo estético”, contrariando ou atualizando
Kant, não é uma proposição protocolar, mas uma expressão facial, uma
interjeição diante da beleza ou do susto: “oh!”. E também por isso, no campo da
arte sacra, muitos santos e santas são representados em imagens de êxtase e
distanciamento.
Em outros contextos do debate
acadêmico, cabe a solução genial da “definição ostensiva”: eis um iceberg! Isto
é uma tulipa! E creio que Santo Agostinho também forneceu argumentos sobre
saber sobre algo mas não saber dizer a respeito.
Amaro amplia o campo de sua
dissertação e das reflexões de Bergson ao citar a simbologia de Jung –
“representações do transcendente” -, que enfrentou o cientificismo. E este
texto acadêmico, defendido e aprovado em 2024, na UFU onde lecionei, muito me
agrada e até emociona, ao citar Mircea Eliade, sobre o sagrado. Eu costumava
apresentar em sala de aula a lista dos livros que eu não jogaria fora,
de meu balão em chamas... Precioso lastro formado por livros de Gadamer, Thomas
Kuhn, Eliade, Todorov e outros geniais pensadores.
Ora, voltando às considerações
sobre o gênero aqui cultivado, estou ciente há alguns anos de que resenha está
em extinção. E posso “intuir” que as novas gerações se satisfarão com os likes
de leitores comuns ou se orientarão pela mera pressão do sucesso de mercado,
ancorada pelo cálculo das máquinas de busca.
Mas não nos cabe profetizar e
nem... dar spoilers. Assim, vou costurar rapidamente os últimos temas da
dissertação de Amaro. O novo mestre passou com certa elegância de uma sessão a
outra, mas não por uma contiguidade óbvia e natural. Antes, foi pela própria
reflexão e interpretação de Bergson que essas categorias se mostraram
interligadas: mística e religião; religião e religiosidade; mística como
missão; mística e amor; mística e cristianismo e – por fim – mística e
Filosofia.
Muitos filósofos evitariam o tema
da mística e outros leriam Nicolau de Cusa e Mestre Eckhart como literatura ou
sintoma de uma época. Outros temem a “contaminação” de seu pretenso sistema
científico com tautologias e superstições. Todavia, com firmeza e escrita
elegante, Amaro dribla todas essas distrações e mantém seu esperado ponto de
chegada, pois foi no campo da filosofia que Bergson atuou e é lá, na filosofia,
que esta dissertação bateu, ancorou-se. E tanto na dissertação quanto na
plataforma da militância de Bergson, a motivação é humanista, no melhor sentido
de uma certa teoria da ação.
O item “3.9 Mística e
filosofia: uma metafísica, uma intuição, uma humanidade” não recai no vício
racionalista formal, pois não recua para a exegese do uno e do todo, nem oscila
numa dialética verbal... pois, conforme as últimas linhas do desenvolvimento desta
dissertação esta “uma” é “a” humanidade. A mensagem de Bergson, sobretudo nas
obras citadas, “não deixa de ser para nós uma luz na escuridão, um alento de
esperança em tempos tão tumultuados em que vive a humanidade.” (p. 143)
Os temas ficaram tão bem
desenvolvidos e amarrados que a Conclusão da dissertação se resolveu em pouco
mais de duas páginas. E creio que a banca tenha permitido – como eu faço agora,
fora do ritual da pós-graduação – que Ciro Amaro empregue um sinal de
exclamação, pois Bergson o merece. “Bergson não foi um pensador francês, mas
um filósofo da humanidade!” (p. 146)
Ora, Bergson fez mais que pensar
e escrever; teve cargos públicos importantes, em organismos internacionais e se
posicionou sobre temas graves. Creio que ele se parecesse um pouco com Bertrand
Russell, do outro lado do Canal da Mancha, mas sem a simpatia nem a fé
declarada em algo mais que a matemática. E, por essas e outras, Bergson recebeu
o Prêmio Nobel de Literatura. E o aceitou, ao contrário de outro francês anos
depois.
Esse prêmio caiu-lhe bem e não
foi por falta de bons romances no período avaliado pela Real Academia Sueca. O
discurso oficial na cerimônia de entrega dessa honraria poderia adivinhar o
efeito positivo que a intuição e o sonho viriam a ter para as artes em
geral e para a literatura, em particular, nas décadas seguintes. E como tais
recursos ajudariam a conhecer e melhorar a humanidade.
(Araraquara, 7 de dezembro de
2025)
[1]
NASCIMENTO, Ciro Amaro Fernandes. A mística em Henri Bergson [recurso
eletrônico], 2024. Orientador: Rubens Nunes Sobrinho, Dissertação (mestrado)
Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Filosofia. Disponível em:
http://doi.org/10.14393/ufu.di.2023.639






