domingo, 15 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DA FILOSOFIA - CAPÍTULO 998


POST LONGO SEM MUITA FIGURINHA,

MAS DEPOIS TEM CHARGE NOVA

E INFATILIDADE FILOSÓFICA



Sim, existe filosofia no Brasil e até filosofia do Brasil. Este blog está aqui para mostrar que é possível filosofar nos trópicos. E é igualmente necessário contar como é difícil ser filósofo no cerrado e adjacências urbanas inóspitas.
Alunos e alunas e novatos, não desistam, pois... não se pode vacilar.
Querem ler uma história de resistência e teimosia? Continuem aqui, neste post, pois há um plano: contar as peripécias de um texto depois do outro. Não é para desanimar ninguém; pelo contrário, eis o caminho das pedras tapiocanga sobre as quais caminhamos descalços e no escuro.
Sem ressentimentos, pois é assim mesmo que a banda toca. E nem chegamos perto de Pirsig, que saiu com seu livro na garupa da moto e passou por mais de cem editoras. Também sofreu pacas o perfeccionista e. e. cummings, que ajuntou umas quinze recusas – e com os títulos das casas metidas a besta ele desenhou um cálice. Um brinde ao custoso sucesso? Ou era o trago amargo de sua obstinação em publicar folhas cadentes?
Nem cummings, nem zenbudismo motociclistico; este livro aqui foi publicado pela primeira editora contactada. No problemo, até aqui. No mais, hasta la vista, babe.

1.      Um dia, a gente ria do velho pipoqueiro no campus da UFU, em Uberlândia. Ele desligava o fio do luminoso da livraria da Edufu, para acender a luz em seu carrinho de pipocas. A diretora  veio negociar com o cara, que tinha sua própria noção de universidade “pública”. Depois de um café forte, a colega me consultou se eu não iria publicar em casa? Nada contra, Maria Clara. Ia pensar. E tinha na gaveta a dissertação de mestrado.

2.      Assisti a uma conferência de Nelson Gomes e fiquei encantado, junto com a platéia. Um cara ia matar o príncipe herdeiro do império austro-húngaro. De repente amarelava; não ia mais. De novo pegava a garrucha. O príncipe errou o caminho e cruzou com o pistoleiro: poW! Morto o rapaz, começa a primeira guerra, que deu origem à segunda, etc. Que classe a do Gomes para falar dos contrafatuais! Era como se víssemos um filme. E se o príncipe não tivesse sido baleado aquele dia? O que teria sido de toda a história desde então? E o palestrante defendia diante de alunos e professores um modelo de filosofia: resolver problemas. Pô! Pensei comigo: fiz isso no mestrado – resolvi um pepino criado por Habermas que nem ele encarou pra valer.

3.      Dois colegas de trabalho estiveram lendo minha dissertação e comentaram pelos corredores duas partes dela: a teoria da argumentação, que passava pela dupla Olbrechts-Tyteca & Perelmann – a nova retórica – e o capítulo sobre os contrafatuais. Com isso, já tinha três apoios, para poder dizer, como se faz: atendendo a inúmeros pedidos, depois de muita hesitação, resolvi publicar essa dissertação, até porque, etc.

4.      Originais encaminhados à Edufu. Parecer sigiloso. Tempos depois, a notícia da aprovação e o longo caminho das revisões. Eu contava as vezes em que passara pelo texto, durante a composição e a revisão, vinte anos antes, e agora: umas doze vezes. E jurei que nunca mais leria esse texto que ia virando obra.

5.      Ivan fez foto e criou capa, conforme minhas sugestões. Lei de Murphy: um raro errinho de composição quis aparecer na última chance, na segunda capa: um reles “que que” na gentil apresentação feita por Vani “Zen”. Tudo bem. Saiu.

6.      Sim, saiu, mas não com a apresentação que eu gostaria de ter acrescentado. De quem? Do próprio Nelson Gomes. Não, não escreveu nem mesmo uma página e, aliás, não apresentou uma desculpa. E Felipe Sahd, meu coordenador na pós, fez um meio de campo, mas nada. E não era só por razões pessoais; um pouco também para reforçar uma tentativa de cooperação entre UnB, UFG e UFU – que poderia levar a um doutorado dessa trinca. Não apostem nisso.  

7.      O livro saiu, graças também ao empenho de nosso colega Humberto Guido, atual diretor da Edufu, que redigiu uma generosa orelha, que dava conta também de minha humilde atuação prática – em nosso sindicato, por exemplo, e junto a movimentos populares; e isso reforçava a arte da capa e o vermelho no subtítulo.

8.      Teríamos um evento local, uma Semana de Filosofia, em 2010, e imaginei um debate, uma mesa-redonda. Cheguei a convidar os dois colegas, que haviam lido a dissertação. Nada de mesa, nem debate. No máximo, eu teria conseguido montar um caixote no horário da tarde, quando os calouros cruzam para lá e para cá no agito das comunicações. Deixa disso! O livro estava impresso e seguiria seu caminho de mercadoria. Que o mercado cuidasse.

9.      Enviei alguns exemplares do livro a alguns colegas que já me presentearam com seus livros ou que fizeram mestrado e doutorado na UFRGS em minhas épocas. Alguns agradecem, comentam. Ok. Curioso é que o exemplar encaminhado ao Prof. Nelson Gomes, na UnB, foi devolvido pelo correio como “destinatário desconhecido”. Parece a novela do pistoleiro querendo e não querendo puxar o gatilho... E depois de duas guerras e muitas batalhas, já não interessa conjecturar sobre o que teria acontecido ao meu livro se Gomes o houvesse enfeitado com seu prefácio. Nada. Eu não estaria rico com vendas turbinadas, nem nada. Mestre eu já era, desde 1986 e ia ficar do mesmo tamanho, como diria Montaigne – nem genial, nem tonto.

10.  Além disso, eis o que é importante: uma boa resenha em uma boa revista! Ricardo Navia, meu colega uruguaio, publicou a resenha na revista Filosofia, da Unisinos. E fiquei muito agradecido, pois é um intelectual muito capaz e sério, embora eu nem sempre consiga acompanhá-lo em sua campanhas de filosofia analítica e de meta-filosofia.

11.  O professor Danilo Marcondes, que fora um de meus argüidores em 1986, era agora em 2011 o representante da área de filosofia na Capes. Peço a nova diretora da pós que leve um exemplar ao Danilo, com cartinha cordial. Geórgia volta de Brasília e...? Nada. Pior: ela entregou o livro a ele. Não houve desvio dessa vez. Ok. Isso também era um pouco de lobby institucional. E serei sempre grato a Danilo, pela elegante argüição e também por me haver emprestado –uma boa quantidade de textos, que copiei e li e citei.

12.  Nova Friburgo, hotel na serra, 1985. A recém-criada ANPOF organizara um colóquio para que a comunidade filosófica brasileira soubesse quem era esse tal de Habermas. Um colega do Rio, Cósimo, ficou sabendo e me deu a dica. Fomos de bicões. A Anpof já nascia elitista e metida a besta. Como é que o meu orientador ou os coordenadores de pós não me convidaram? Forçamos a barra e fomos aceitos como participantes e até descolamos um almoço ou dois. Ali, quem já conhecia algo de Habermas expôs aos demais. Rouanet, Danilo Marcondes, Raul Landim, Herrero e Stein estavam lá. Pedi a meu orientador que me apresentasse aos capas-pretas  e ele disse que ali viria uma dissertação muito boa, pioneira, etc.

13.  No dia da defesa da dissertação, em 1986, a sala da UFRGS ficou cheia e tinha gente assistindo pela janela. A minha foi a quarta defesa naquele programa, que tinha sido restabelecido em 1981, com o fim da ditadura e a volta dos exilados. Só havia esse mestrado, então, em toda a região sul. E naqueles anos a demanda reprimida era grande, alta concorrência com os feras locais.Durante a argüição, Álvaro Valls disse que eu não precisava ter trabalhado tanto. A banca teria concedido ao mineiro o título de mestre apenas com o capítulo primeiro, sobre o conceito de “crítica”. Não dava para lamentar, até porque não havia doutorado ainda lá. E porque eu tinha um problema a resolver e fui – praticamente sozinho – até o fim. Stein, meu querido orientador e guru pelo resto da vida, disse que eu sabia escrever e podia seguir em frente. Uma vez, com o texto pronto para a datilografia final, apenas sugeriu que eu cortasse fora o último parágrafo, onde escapara uma tirada irônica e obscura, sobre revolução. Importante, como faria quatorze anos depois Rodrigo Duarte, é que o orientador Stein referendou minha defesa. Isso, sim, foi o máximo.

14.  Certa vez, Stein recolheu algumas da teses que orientara – e, na verdade, orientava quase a metade de todos os mestrandos – e entregou para o Rouanet, que iria publicar uma coleção sobre teoria crítica. Isso nunca saiu. Durante quase vinte e cinco anos, minha dissertação só podia ser lida na biblioteca da UFU ou quando eu emprestava meu surrado exemplar xerocopiado. Agora certas coisas não importam mais. O livro está nas livrarias e logo chega aos sebos. Na internet, a divulgação é rápida e talvez tudo isso ajude a liquidar com o gênero resenha. Não faz sentido se eu comento meu próprio escrito, que já não agüento ler, depois de quinze vezes. Mas posso garantir que essa dissertação é um trabalho acadêmico padrão, do tipo que serve para cacifar um professor universitário. Nada de ironia e pouca criação pessoal, a não ser pela corajosa empreitada de resolver um problema pesado, que Habermas apenas esboçou: qual é o status epistemológico da antecipação contrafatual de uma situação ideal de fala? Depois disso e de uma nova tese, sobre teorias da crise, é que pude me dar ao luxo de escrever com mais liberdade sobre o ensaio filosófico, entre gêneros literários próximos. Mas essas são outras histórias, que ainda virão a este blog.



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SESSÃO DESTINO DAS CORES

(Experimentos metafísicos em paintbrush)


SESSÃO INFATILIDADES FILOSÓFICAS

(nossa versão da filosofia para crianças)

episódio de hoje:SELEÇÕES INDIGESTAS

Quando eu servia meu país em alguma ilha do Pacífico, fui certa vez com a família a um restaurante típico, onde serviam gororobas típicas, ao som de músicas típicas. Meu filho, que já sabia ler, estranhou que os nativos escrevessem uma terrível ameaça ao pé da comanda, onde a moça da balança anotava a despesa: "a perda desta acarretará o pagamento de mil pesos insulares", o que era equivalente a dez quilos daquele engasga-gato. Nem o mais faminto marinheiro de volta à terra firme comeria tanto. Meu filho de nove anos, muito ativo, que já sabia algo sobre a expectativa de validade simétrica dos deveres e obrigações na sociedade contratualista, encontrou certa vez uma comanda daquelas ainda em branco caída debaixo de uma mesa desocupada e, na sua inocência benevolente em relação às instituições, foi até o caixa com um sorriso no rosto. Esperava receber do proprietário uma nota de mil pesos insulares, pois esse parecia ser o valor do papel timbrado e numerado. E, decerto, assim como as notas de dinheiro, aquela moeda local seria um inquestionável meio de troca universal. Sua decepção foi tamanha diante da negativa daquele capitalista de uma figa, que nunca mais quis saber de restaurantes ao quilo, pois aquilo era um lugar de dois pesos e duas medidas. Revoltado com aquela moeda de mão única, aprendeu a pescar, a caçar, a preparar seu próprio miojo em casa e, sobretudo, a desconfiar das instituições da sociedade ocidental, bem como da oriental.





quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

HISTÓRIA DA FILOSOFIA - CAPÍTULO 999

FILOSOFIA HOJE: HÁ LUGAR OU NÃO ALUGAR?

Violas, nossas violas: prontas para repentes e desafios,
pois a dupla não afina e nem desafina

Conforme nunca prometido neste blog, eis um capítulo da História da Filosofia Ocidental e Oriental. Pois tem hora que um grande filósofo mata a charada, de um golpe só. Pow! E fala o que gostaríamos de falar sobre outro pretenso grande filósofo, numa época dada a grandiloqüências. Tipo Marx sobre Hegel - Marx on Hegel, em cima dele e revirando seu edifício redondo de ponta-cabeça. De fato, o amigo de Engels resumiu assim: A filosofia hegeliana da história é a história reestilizada da filosofia, aliás, de uma certa filosofia, a sua, a hegeliana mesma.



Sorria! A filosofia não vai acabar antes da hora.
  Assim sendo e sem a mínima chance de emplacar nowadays uma ideologia disfarçada de teologia do Estado, este blog fará isso: contar a história da filosofia a partir e em torno das peripécias de um pequeno filósofo enroscado nos cabelos de suas próprias pernas. Mas que não consegue desmafagafar as artimanhas do capeta neo-escolástico e nem plantar uma bananeira dialética.
Antes disso, o Filósofo do Cerrado, orgulha-se de ter
formado dupla com o colega Humberto Guido e com
o piauiense acidental Helder Buenos Aires
Para não derrapar no culto à falta de personalidade, até porque esse é o script da enlutada Choréia do Norte, tomaremos um "viés" - expressão que aqui homenageia os pedagogos críticos dos anos 80 - pois podemos contar alguns entreveros relacionados a textos publicados nesse quarto de século, com direito a puxadas de tapete, mas não de cisco para debaixo dele.  
Galopeeeeeeeeeeeiraaaaa!
Existe filosofia no Brasil? Por supuesto!
(assim como existe música de  mariachis por acá.)

Começa-se pelo fim: o mais recente sucesso da filosofia mundial, que pode ser lido no endereço da Revista Poros, da Faculdade Católica de Uberlândia, prestes a ganhar um P de Pontífícia. Confiram, caso queiram e tenham um tempinho a perder:
Duas ou três curiosidades sobre esse artigo: levou 21 anos para sair da gaveta e foi escrito por dois colegas, aliás, dois xarás. Coisa rara na filosofia em geral. Adorno e Horkheimer figuram juntos na capa de Dialética do Esclarecimento. Marx e Engels sempre trabalharam juntos. Quem mais? Povinho mais lonely rider esse nosso, siô. Vamos ao arrepio, against the current.

Não confundir o parceiro com esse inspirado heideggeriano de olho na poesia.


Tem gente que não gosta de um título em forma de trocadilho. Mas a coisa pode ficar chique se sugerir um palíndromo, no vai e vem: O lugar da filosofia e a filosofia do lugar.
E não confundir o filósofo do norte com esse xará do forró nordestino.
Certa vez um sujeito com voz de taquara rachada quis tirar um sarro, quis desqualificar um título assim. Bateu e levou: que tal esse, de Jean Pierre Labarriére e Gwendoline Jarzig, aqui citado de memória? "O conceito de trabalho e o trabalho do conceito". Engoliu em seco e saiu de fininho, pois conhecia também esses hegelianos da moda no início dos noventa.

Mas será um dos Beneditos? Não, nenhum dos Nunes acima.
Esse aqui é o que tocou a noite inteira, sem parar.

Então é isso: Qual é o lugar da filosofia hoje, em nosso sistema de conversas e teorias, ou seja, quando o filósofo fica sem lugar? & o que dizer da filosofia do lugar, de nosso lugar, nosso meio e nosso momento? E será que esta não poderia ajudar aquela? Essas coisas.
E foi por causa do grande Tim Maia que soubemos do Bené Nunes,
convidado a tocar no casamento da Juliana, filha do
Coroné Antônio Bento...
De início, foi tentada uma outra parceria, que não vingou. O candidato a parceiro entrou numas de hierarquia acadêmica, virou reitor, o que no caso equivale a empresário do ensino. No regrets, ele era bem "Amado" no chapadão, mas nada de fazer segunda voz.

Mas se a primeira metade do texto ficou duas décadas na gaveta, manuscrita a bic azul e depois datilografada na Remington, foi porque não ia rolar uma versão solo. Tinha que ser uma parceria, no sentido musical, afinadinhos em duas vozes e com arranjos de harpas paraguayas no lago azul de Ypacaraí (ou I-pa-caray).
E o Coroné supra-citado não deve ser confundido com o Bento Prado Jr.

(embora essa patente não lhe permita dispensar um Juanito Caminador 12 anos on the rocks and rolls) 
Enfim, ficam satisfeitos os co-autores e quase compadres com essa publicação da revista Poros. Agradecimentos ao pessoal da Católica. E... vamos ler e divulgar.  Pois é isso que o facebook não tem: conteúdo. Curtiu? (kkkk...)
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Revista POROS

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SEÇÃO QUINTA SEM LEI

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ACREDITE NA SINALIZAÇÃO E NÃO DANIFIQUE AS PLACAS

Há muitas placas engraçadas e malucas por aí. E há blogs e sites só para esse gênero midiático. Aqui vão nossos saldos de balanço: placas que este blog publica, sem querer corrigir nada. Se achar ridículo, então ria! (Mas não sorria só pra ser filmado no loja, ê!)

Um gancho, um fio na meada. Por exemplo, esse bicho aí, o porco do mato, que tem a capacidade de ajuntar filosofia e cerrado. Vivia em manadas por este cerradão, até que o Seru inventou de corrigir a acidez do areião e vieram os Cats e os Komatsus com o correntão. E depois a soja, a cana e a soja e mais soja.
A UDR, criada em 1985 para criar caso com os ambientalistas e os sem-terra, adotou um lema da filosofia agroboy: “Cateto fora da manada é comida de onça”. Essa mensagem, colada no parabrisas das pickups com jetskis, visava convencer o latifundiário a se enturmar em um tipo de sindicato patronal conservador. Assim, o tal se via como cateto, aliás, um bicho do mato. E restava para a defesa da vida selvagem e da socialização da terra o nobre símbolo da onça braba, que é também a tradução do nome do célebre e coerente cacique Raoni.
Vai daí que essa placa, fincada na cabeceira do córrego São Pedro, em Uberlândia,  está errada e não está errada, ou seja, quem escreveu o aviso entrou numas de Chavez, “sem querer querendo”.  Pois, de uma maneira ou de outra, nós já matamos os outros catetos e espantamos as onças.
Zoo no Parque do Sabiá, Uberlândia, cuja direção merece nosso aplauso:
neste Natal de 2011, os bichos presos ganharam um presentão, ao ficarem livres dos visitantes humanos e chatos.
E QUE FIQUE CLARO: NÃO ALIMENTE OS ANIMAIS E NEM AUMENTE O SOFRIMENTO DELES!

Do lati para o lotefúndio. Mesmo quem tem um lote vago faz logo uma cerca e escreve “propriedade particular”, conforme Rousseau e a torcida do Mengão já observaram. E aquele quarteirão cercado de muro e enfeitado de lixo ali na Praia de Tambaú? Em João Pessoa, Paraíba. A lenda urbana (“Dizem que a área é do Gugu e nunca pagou imposto”) faz lembrar o disco do grupo Mundo Livre: “o samba não é do Faustão, não é do Gugu não é do Gugu não é do Gugu...”. Vai daí que o portão ficou com uma folha fechada, com duas advertências truncadas, e uma folha aberta à polissemia aqui explorada: a pobre jumenta que puxa a carroça do papeleiro virou o objeto de desejo e de inveja. Todo valor é relativo, mas a pobre criatura de Deus ainda prefere ser vista como bem de uso e não de troca. E nem de troça, certamente. Pois o jegue é nosso irmão, lembrou Gonzaga.
(A foto foi mexida no paintbrush, mas não inventada: só pra tirar um carro que o-fuscava o bichinho)

Querem me ver na fogueira, oxente? Seguindo pelo nordeste, eis uma marca interessante para um restaurante, um apelo direto, que dá fome e sede. Mas que tal dormir “na brasa”? Bode é esperto e anda também de manada pelas estradas. Voltam sozinhos para casa e sabem cruzar a pista. Tão bonitinhos e tão... apetitosos assados, com as devidas desculpas nossas, devido às inóspitas condições do agreste e outras veleidades humanas. “Que braseiro, que fornalha!”

Lada usado sem pagar IPVA pode servir de chiqueirinho também.

Passagem de macho. E agora um bar ali perto do campus da UFPB, o “Passagem Bar”, cujo fundador não foi o Walter Benjamin. Ali assam bode e outros bichos, mas é um bar porreta, só de cabra macho. Olha aí. Só tem banheiro pra eles e o depósito de carvão. (Nada disso, ô mineiro! Rudêia, rudêia..)
Lá em Catulé do Rocha não tem disso não!
(só moita de mumbufo...)

Os dois ou mais Brasis. Alguns gringos passam uma década aqui e não nos entendem. Para quem quiser vir aqui de professor visitante, o CNPq ou a Fapemig deviam aplicar uma prova básica. Por exemplo: quem não entende o jogo do bicho, com todas as suas conexões, não entende os dois ou três Brasis. Pareceria redundante a um alemão a placa no “trailer móvel”? Coloquem na lista de exemplos da lógica, ao lado de “married bachelor”. Explicando: a prefeitura e o DNIT só autorizam a instalação de um quiosque móvel para vender lanches. Aí o pequeno empresário faz certinho e tira a licença e vem com a carreta a reboque, pneuzinho novo. Tempos depois, deixa o trailer passar uma noite ou duas. E explica ao fiscal que o pneu furou. Depois, o fiscal nem vem mais e o esperto empreendedor tira as rodas, que é pra cachorro não mijar e molequenão roubar. No lugar, ergue uma paredinha de tijolão. E, depois, para maior conforto dos clientes, puxa a famosa varandinha. E aí é só cantar com aquele paraense: “... e eu fui que fui... ficando”.
Mas não me venham com aquele papo de "jeitinho brasileiro", não sinhô!
(Quem morou na Zoropa sabe que aquilo é cheio de mutreta, pois é uma Zona, a Zona do Euro.)

Alegres trópicos (para quem tem bom humor, ou seja, inclua Levi-Strauss e Saint-Hillaire fora dessa). E os tropeços da linguagem são apenas, quase sempre, um problema do receptor. Os lugareños nem notam. Outros, sabendo que turista curte placa engraçada, parecem escrever de propósito, coisas como “Melância e cocó gelado”. Não tem base e eles não acham graça,  pois nem precisariam de placa. Se um cara está ao lado de uma gaiola de frangos erados, parece-lhes óbvio que o dito cujo não vai doá-los e nem os trouxe para que vejam o movimento da BR. Enfim, estão certos os nossos patrícios muito antes da pragmática toda. E aqui vem a forçação de barra: quem haveria de fazer uma foto dessas, com o nome do Hotel Trópico para insinuar que a ambigüidade de “(eu) tropico” é uma variante de “(eu) tropeço” nesse degrau da portaria? Claro que o coco valendo pela letra “o” é um must do estereótipo de nuestros trópicos para gringo ver. E o canudo valendo por acento? Coisa à toa e não há que se explicar a piada, nem mesmo para gringo. Se virem.
Watch your step, baby!

BLASFÊMIA TOTAL. Será que a rica prefeitura do rico estado de São Paulo não tem grana para mandar fazer placas de rua? Onde estão enfiando o dinheiro extorquido nos pedágios e impostos? É um absurdo ver o que fazem os políticos e administradores de hoje com o patrimônio cultural da velha Ubatuba! (Um absurdo, não, Datena? ) Qualquer um de nós pagaria ao prefeito para ostentar apenas o nome da Praça, sem fazer propaganda de nada. Como podem associar uma borracharia ao sagrado símbolo que deu nome a este país? Cabe uma multa e uma missa de desagravo com coral barroco e órgão de 512 tubos. Laos Deo semper!


Não vai longe, meu filho! Pois nada de enrolar o rabo e sentar em cima! Olha aí, bem na nossa jurisdição,  aliás no quintal da capital do Sertão da Farinha Podre, ou seja, no Bairro Fundinho, de Uberlândia. Pois aqui é sujo rindo do mal lavado. Este aviso impresso em folha A4 quis poupar o rico dinheirinho de um cartório, essa mina de tomar dinheiro de noivo e pai babão. E economizaram papel e seta e espaço. Faz sentido, pois afinal esse negócio é meio absurdo mesmo, coisa de quem não pensa e jura per omnia saecula saeculorum. Sempre é muito.
Sala multi-uso em um bairro antigo de Uberlândia:
casar? Só nos fundos do cartório do Fundinho

Um passatempo para as férias: ler cardápios. Podem apostar que o setor de uísques será o vice-campeao, pois o campeão hors concurs é aquele vinho alemão, o Liebefral..., ou seja, aquele da garrafa azul. Mas, como diria o líder dos Gremlins, essa mania de rir de placas “é engraçada, mas não é civilizada”, pois tomem (com duas pedras de gelo) este exemplo como exemplo: aquela bebida alcoólica escocesa, destilada e cara pode ser chamada de Whisky ou whiskey (desde 1715), mas muito antes era uisce ou uisge, a depender daquelas línguas de bárbaros. E em português? Segundo o Antonio Houaiss, é uísque, mas vai que... ele tava tonto no dia em que registrou o verbete! Peça logo um escocês (ou uma Ferreira, de Januária, compadre.)

Foto de celular de origem conhecida: copiráite de meu cacique Raoni

Regência verbal pode causar acidente radioativo! Sem maiores comentários e em foto inteira, para mostrar que não é montagem.
Em um grande hospital de Uberlândia

Semiótica? Difícil de definir, mas eis um evento pertinente ao repertório: em Maceió, para economizar um parafuso, corre-se o risco de criar ambiguidade por uma simples sobreposição física de sinais... (ou seriam signos?) e aí, mermão, você pode ser atropelado por uma "carroça" bem na terrinha de Collor...


Propaganda sub-liminar: o editor deste longo post já está parando...

Sombra e água fresca. Em tempos de férias - para alguns, pois alguém tem que cuidar do loja - vamos encerrar este longo post com uma bela mensagem, ao gosto das Festas de fim de ano, mas sem apelar para cachorrinho vítima de crueldade. Lembram-se do poema de Olavo Bilac sobre as velhas árvores? "Tanto mais belas quanto mais antigas!" Sem problema, se não estiver lembrando ou se nunca leu; tá tudo no google... E tudo, agora, inclui nossa lista de placas comentadas. Promessa de fim de ano: não voltaremos tão cedo com essa onda de novo. Folk-lore urbano, mano véio.

Essa tá certinha e no lugar certo!

(com a aprovação de pássaros e sagüis)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O FILÓSOFO DA MUDANÇA E DOS FRETES

 CIA. PANTA REI - MUDANÇAS E FRETES

Conforme já dizia Galileu da Galiléia e, muito antes, Heráclito: tudo muda. Em grego, parece que isso soa algo como “panta rei”. Sim, ele pinta aqui de relance, pois temos que corrigir seu lema: tudo muda, mas pobre só muda de noite. O filósofo da mudança que decerto não sabia que a crise na Grécia futura viria a ser mais feia que mudança de pobre. Sabemos o quanto vamos nos enrolar nesse assunto, pois quem não fala das coisas fixas e essenciais acaba mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança. E podem apostar que a cristaleira vai chegar ao destino com o espelho quebrado, o que dificulta sobremaneira a reflexão. E tem rês que esguarita na capoeira, pra nunca mais; vira aquelas brabezas do Jalapão.

AUTO-REFLEXÃO, ou seja, pensamentos motorizados
Em tempos de auto-ajuda, caberia recuperar a simpática expressão “auto-escola”. Por dois motivos, o que não é pouco: o primeiro e o segundo. Para que não reforcemos o costume da moçada que foge da escola. E para evitar o pretensioso modismo CFC, Centro de Formação de Condutores  - expressão horrorosa do jargão burocrático, que até parece destruir a camada de ozônio.  Longe de ser um discurso de formatura, este post presta homenagem aos precursores, do tempo do platinado  e da gasolina azul. Como diria Lichtenberg: aí tem coisa. Desse mato sai coelho.
Fusca azu-prefeitura GYN - e não adianta tunar


Padre Choux veio de França pra Goiás por volta de 1975. Era botânico e pesquisava liquens. Botava os alunos da UCG pra arrancar e separar aquelas inúteis barbas de pau. Trouxe duas Solex, aquela maravilha da indústria e do design maluco. Uma bicicleta com motorzinho na roda dianteira! Quem viu o filme Meu tio, do Jacques Tati, sabe o quanto essa máquina singela compõe. (Há que se explicar mil vezes aos lesados atendentes de vídeo-locadora que esse “meu tio” não matou um cara...Ça vas!) João e Pedro perguntaram ao Padre Xu pelo motivo de trazer duas Solex igualitas. O barbicha, reencarnação do ranzinza Saint Hilaire, disse que era para tirar peça de uma motoca para consertar a outra. Ou da outra para consertar uma. Mas, e se quebrasse duas vezes?
que depois carregou muito sarrafo de mogno pro Hermê
Já o H. Trimegisto garantia ao comprador do seu fusca azul-prefeitura, trinta  anos: “Já troquei quase tudo nele, mas só troquei uma vez.” ( Ah... Será que valia para o óleo também?)
e nele aprendeu pilotar a mana rumo à la "Essêba"
Filosofia prontinha do Djêison, que veio da Síria: “Aquele carrão quadrado da Alfa Romeu é assim: na subida, não tem motor, na descida não tem freio e parado não tem preço.” Esse pescador de exigentes piaus que só comem mortadela de marca voltou a despertar o interesse de um estudioso da literatura mineira do João Rosa, da comitiva do Manuelzão. Onde foi que o mecânico aprendeu a dizer “qualquer paixão me diverte”? Mistério, mistério. Será que é neto do Augusto Matraga? Tem cabimento, tem cabimento. De peixão pra paixão é um pulo. E um pingo e um risco, pra mim é Zé Francisco.
hasta que un hijo de puta roubou o herbie e...
O farmacêutico que virou mecânico e se deu bem conquistou o respeito quando explicou as peripécias daquele motorzinho do Gol 97. Duvida? Confira na net. Pois o motor sem cavalaria alguma é mesmo o que movia o Gordini nos anos cinqüenta... A Renault cedeu o quatro cilindros à Ford argentina que o instalou em Volkswagens, que vinham para o Brasil em nome de uma parceria malandra: Autolatina. Foi um golpe para driblar o plano cruzado do Sarney. Prestem atenção naquele golzinho geração um subindo a ladeira. Parece máquina de costura tocada a pedal.
vazou na braquiária. Mas há de haver purgatório!
E agora a Nissan anuncia um carrinho chamado March, com o apelo “agora você poderá ter seu primeiro carro japonês!” Só falam de design e equipamentos, mas não contam que o motor é Renault. Um japonês essencialmente francês. Esperamos não reencontrar o Gordini por aí, na briga dos carros de mil cilindradas.
Eis, de fato, algo que podemos aprender com os mecânicos: o que é essencial? Não se trata de definir essência ou existência, mas tratar do que está escondido debaixo do capô (ou capuz – ah! O capô do fusca... faz sentido, muito sentido...) Os compradores novatos  só querem “ver as aparências” e curtem o fetiche do momento: eletrônica, câmeras, comandos de voz, Bluetooth. Ok. Mas o que dizer do motor? O que é que move a Amarok? Difícil descobrir. E a indústria, que sabe dessa psicologia da massa, contrata a propaganda-enganosa para estimular as vendas e criar novas necessidades. E  se um carro for feio, muito feio, pode apostar que vão dizer: é uma nova categoria, o carro-design...
 
Decepcionados? Não com os carros, mas com este texto. Cadê  a filosofia do cerrado? Ora, não podemos retomar as dúvidas do Heráclito. Já sabemos do que é feito o mundo e até de que garrafas é feito o painel de plástico reciclado no carro novo. Nossas preocupações são outras, mas o tema da mudança permanece a nos incomodar. O que passa? O que fica? E só ao Cascão interessa aquela anedota que reza “não podemos tomar banho duas vezes no mesmo rio”. No caso do Tietê, é morte certa. Um banho e... um abraço. Caixa-prego.

Pode não parecer, mas é assim que surge uma conversa sobre mudanças. E não se trata de mudar de assunto, mas as enganações na era do capitalismo pós-industrial começam por isso: quem disse que é pós? Mudou de fato a ideologia da indústria da ideologia? Não mudou tanto, pois queremos ser enganados e pagamos por isso. 


Nada mais banal que dizer que o mundo está mudando.

Mais vale dizer que a cor faz diferença aqui e ali.
Make up não te deixa dançar em dias de Dancing Days.

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E AÍ VEM A TIRA







terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LOGO, SÓCRATES É IMORTAL

Nosso blog não dormiu no ponto. Queríamos fazer nossa homenagem a nosso Sócrates. E aqui vai, sempre em tempo. E se é para guardar os bons momentos, eis uma síntese: a camisa da seleçao, o sorriso e o estilo ripongo, que lembra outro magrão querido, o Gonzaguinha.


Nosso departamento de arquivo não conseguiu encontrar uma certa carteirinha de um ex-jogador do Botafogo de Ribeirão Preto. Esse não seguiu carreira nem de jogador, nem de médico e nem mesmo de padre. Pois era no campo dos padres, no colégio do Bairro Sumaré, que o time de Sócrates treinava.

O Filósofo do Cerrado não quer contar vantagem e promete substituir
essa imitação mambembe, se um dia achar o carteirinha original, de que se orgulha.

Doutor Sócrates era magrão e desengonçado, mas inventou uma trivela de calcanhar. E implantou a democracia no maior time do país, em época de milicos no mando e no desmando. Por isso, nosso respeito a quem soube brilhar nos campos e driblar os generais, que só vieram para pisar na bola.


(copiado de um caderno especial da Folha de São Paulo, em homenagem a Sócrates)
E vejam que Sócrates estava mesmo em Ribeirão Preto em 1973, nos bons tempos do Instituto Educacional Otoniel Mota. Ali, um aristocrático professor de filosofia nos encantava sem giz e sem livro; só proseando sobre frases que trazia. E a turma viajava na análise de coisas do tipo: "Imagine um absurdo, o pior deles. Sempre haverá alguém capaz de praticá-lo." Claro que esquecer o Doutor Magrão seria nonsense. E é bom falarmos dele sadio e risonho.

Mas, só pra fazer um meio de campo aqui com a filosofia que ajuda a fazer a moldura deste nosso quadro, vamos brincar com o silogismo mais famoso de nossas aulinhas de lógica.

Silogismo 1, feito de calcanhar:


"Alguns gregos inventaram a democracia.
Sócrates era um grego (e teimoso).
Logo logo Sócrates foi condenado a beber veneno."

Silogismo 2, feito de trivela e com rebote:


"Os Sócrates famosos (e é claro que são mortais também) são ou filósofo grego ou bom de bola.
Nosso Dr. Sócrates (que era paraense) implantou a democracia corintiana e fez gol de letra.
Logo, democracia de verdade só presta sem pena de morte.
E... logo 2: o sucesso não impede a rasteira da cirrose, essa invejosa."

E por falar em dente de leite, vamos baixar a bola, que tem criança na quadra.

Foi promessa de campanha deste blog: filosofia infantil ou - sabe-se lá - criancice filosófica. Pergunta de uma criança de seis anos, ou seja, de um diretor de cinema em Hollywood, segundo Goddard ou Truffaut:


Tio, porque será que...? No café da manhã, o açúcar nos dá bom dia com frases de entusiasmo, mas o sal não tem nada a nos dizer.

Porque será?

E com isso o mundo vai se enchendo de lixo...
(embrulham até um reles palito de dentes!)
 Pior. Essa frase específica, muito boa quando estamos de férias, vai contra nossa segundo esporte predileto: fazer perguntas e criar problemas.


Filósofo tá na área pra inventar problemas,
mas alguns são falsos problemas e duram menos
que uma bolha de sabão.

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SESSÃO LA PRENSA

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

AJUDEM O GRAN PATRIARCA A FINANCIAR SEU VINHEDO


Charge fresquinha para idéia mais velha que rascunho de Bíblia

Não estamos aqui para explicar a piada, mas... ri mais quem leu o Big Book e não fugiu do catecismo, pois Noé teve três filhos: Cam, Jafé e... Sem. (Ah! bão...) Daí que os semitas, meu caro batrício, não berdem quando negociam o breço. De repente, eles aceitam umas parreiras como parte do pagamento. 

Esse desenho não quer exatamente criar um clima de Natal, até porque Noé está longe, no inicio da história, aliás no re-início. O Criador arrependeu-se logo e fez um logoff. Onde é que estava com a cabeça ao instalar no paraíso um animal chamado Seru. Mano, o Poderoso quis dar-nos uma chance e clicou em reinicializar, tá ligado? De J.C., Noé está bem longe na genealogia. Da moral da história sagrada fica isto: no Cerrado das cachaças, a galera só costuma beber vinho no Natal. Barato e doce, em geral, que nem vinho de padre.  E padre quando bebe muito canta em italiano. Este "fio dos padre" também: 

"Eviva Noé, il gran patriarca
salvatto nell' arca
sapete perché?
Perché fu l'auttore 
de un gratto licore
che allegre ci fa..."


(Sim, pois além de criar rãs e peixes - que ficaram nadando quarenta dias e quarenta noites - nosso old good friend também inventou o vinho, que na região de Januária
empoeira na prateleira, ao lado das melhors Salinas.)

Mas cuidado pra não gastar demais!
 Olha aí a tentação na era dos cartões:


Eis o perigo, com apenas um acento agudo e um sinal de igual:


Dever junto é um baita problema, embora seja bom beber junto, con-fraternizar com ou sem peru com apito. E a gente bebe uma também pra comemorar o fim das dívidas. Salud y forza nel canud! (Se for dirigir, já sabe...)


Bem, em breve, um pouco de criancice filosófica fica bem.

Mas não estamos hoje muito pra filosofia e ainda queremos mostrar uma invenção. Poemas se fazem também com silêncios.

Filósofo do cerrado já inventou alguma coisa? 
Sim, mas não está no Lattes...

Por exemplo, uma "releitura" do desenho dos bonecos no Pasquim, que servem como "observatório da imprensa", pra comentar manchetes. Certa vez, estando no comando de greve em Brasília, ocorreu-lhe que poderia telefonar para Rubens, o jornalista do sindicato, e ditar as falas nos balõezinhos... Simples e fixo.  A Telecharge! Mais rápida que redesenhar no paint e enviar por email de uma lanhouse. No orelhão, a cobrar e... rapidinho.

Vamos retomar o gênero, animando um pouco este blog em ritmo de fim de ano. E, de novo, os créditos ao grande Pasquim e nossos heróis da caneta em tempos bicudos: Ziraldo, Nani, Jaguar, Redi, Henfil...




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O CERRADO NO SENADO - APELO AO TRIO MINEIRO

ESTÁ NO SENADO AGORA
E EM NOSSAS MÃOS SEMPRE
O FUTURO DO CERRADO,

DO MANGUE,  BREJO, DOS CAMPOS GERAIS,
DAS VÁRZEAS, VEREDAS E DEMAIS BIOMAS
DE MINAS E DO BRASIL E DESSE MUNDÃO DE MEU DEUS
ONDE VIVEM PLANTAS E BICHOS – INCLUSIVE NÓS,
ANIMAIS HUMANOS QUE PLANTAM E CRIAM,
COMEM E BEBEM E RESPIRAM E...
VOTAM NOS SENADORES DE MINAS GERAIS:
Alô, Aécio Neves!
Alô, Clésio Andrade!
Alô, Zezé Perrella!
Esse é nosso trio de Senadores Mineiros.
Deles esperamos consciência e compromisso com a vida.
Mas como esse lance de “alô, mamãe” é da era do rádio,
podemos seguir a onda e mandar email para eles.

Aplausos desde já. Mas podemos, sim, mandar um alô para a bancada celeste - o Xará Itamar Franco, o Vovô Tancredo e o colega Chico Mendes: fiquem de olho nesse trio de senadores e mandem chuva para o cerrado. (E não deixem que o Anastasia traga para Minas os pedágios paulistas. Obrigado. Valeu.)

 Bravo! Bravo!
Não precisamos “desbravar” todo o país: algumas grandes áreas devem permanecer bravas, bravias, selvagens (selvas intactas ou, eventualmente, como reservas indígenas e naturais).
A área de produção não precisa ser ampliada. Importante é barrar a transformação de alimentos em comida de bicho e até combustível. Esse desvio é um desperdício e consome 44% do alimento produzido no mundo. O mundo já tem 7 bilhões de habitantes e não pode crescer mais. (Camisinha aí, ô galera!)
A redefinição de políticas demográficas e de segurança alimentar demanda alguma fundamentação filosófica. Mas não vamos fugir pela tangente com perguntas evasivas do tipo “o que é a natureza?” E não nos basta denunciar a conversa fiada que se aproveita de termos enganosos como “sustentabilidade”.
Mais viável é combatermos a sanha capitalista que pode destruir o mundo, enquanto isso der dinheiro. E depois os empreendedores prometem recuperar o mundo, com novas tecnologias de queimar lixo, por exemplo, se... isso der lucro a alguns.
Sim, chamem o filósofo. Temos muitos por aí. Há tarefas mais simples aqui, como prestar atenção na diferença entre direitos e deveres. Básico, pois está em nossa Constituição de 1988: temos o dever de preservar e recuperar o meio ambiente (e não exatamente o direito ilimitado de explorar os recursos naturais, que são um bem de todos e pode ser simplesmente preservado e admirado).
A mãe natureza não está aí à disposição do pai capital. Ela já se cansou de ser explorada desde as eras míticas de Géia e Urano. Mais respeito agora.
Além disso, não podemos aceitar o maniqueísmo de certa parte da opinião pública que ou ignora o assunto Código Florestal ou reduz tudo à disputa entre dois blocos: ambientalistas e ruralistas, para os quais destinam adjetivos que avacalham com o diálogo.
O cidadão comum deve se interessar por esse assunto vital, embora esteja fora desses dois grupos, pois é maioria e é o consumidor dos produtos da agricultura, área com grande capacidade de pressão. O consumidor pode boicotar produtos. O cidadão pode defender, como se faz aqui, seu direito de opinar e de convencer os parlamentares. Não somos especialistas, nem investidores, mas devemos ser ouvidos, pois queremos respirar ar puro e fresco – pelo nariz, como disse Caetano.
E não queremos que derrubem mais florestas em nome do desenvolvimento ou do progresso. Aliás, filósofo pode ajudar a criticar esses conceitos ambivalentes e relativos, pois como disse Adoniran Barbosa, antes de cantar a saudosa maloca: “É o progresso: o pão cai e cai com a manteiga pra baixo.”
Não vamos deixar cair. Talvez sustentabilidade seja isso: segurar o mato em pé (e assim termos onde nos segurar).

Um belo angico isolado em um pasto, às margens de uma rodovia goiana,
próxima a BR 153, no trevo de Pontalina - foto de setembro 2011