quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O CERRADO NO SENADO - APELO AO TRIO MINEIRO

ESTÁ NO SENADO AGORA
E EM NOSSAS MÃOS SEMPRE
O FUTURO DO CERRADO,

DO MANGUE,  BREJO, DOS CAMPOS GERAIS,
DAS VÁRZEAS, VEREDAS E DEMAIS BIOMAS
DE MINAS E DO BRASIL E DESSE MUNDÃO DE MEU DEUS
ONDE VIVEM PLANTAS E BICHOS – INCLUSIVE NÓS,
ANIMAIS HUMANOS QUE PLANTAM E CRIAM,
COMEM E BEBEM E RESPIRAM E...
VOTAM NOS SENADORES DE MINAS GERAIS:
Alô, Aécio Neves!
Alô, Clésio Andrade!
Alô, Zezé Perrella!
Esse é nosso trio de Senadores Mineiros.
Deles esperamos consciência e compromisso com a vida.
Mas como esse lance de “alô, mamãe” é da era do rádio,
podemos seguir a onda e mandar email para eles.

Aplausos desde já. Mas podemos, sim, mandar um alô para a bancada celeste - o Xará Itamar Franco, o Vovô Tancredo e o colega Chico Mendes: fiquem de olho nesse trio de senadores e mandem chuva para o cerrado. (E não deixem que o Anastasia traga para Minas os pedágios paulistas. Obrigado. Valeu.)

 Bravo! Bravo!
Não precisamos “desbravar” todo o país: algumas grandes áreas devem permanecer bravas, bravias, selvagens (selvas intactas ou, eventualmente, como reservas indígenas e naturais).
A área de produção não precisa ser ampliada. Importante é barrar a transformação de alimentos em comida de bicho e até combustível. Esse desvio é um desperdício e consome 44% do alimento produzido no mundo. O mundo já tem 7 bilhões de habitantes e não pode crescer mais. (Camisinha aí, ô galera!)
A redefinição de políticas demográficas e de segurança alimentar demanda alguma fundamentação filosófica. Mas não vamos fugir pela tangente com perguntas evasivas do tipo “o que é a natureza?” E não nos basta denunciar a conversa fiada que se aproveita de termos enganosos como “sustentabilidade”.
Mais viável é combatermos a sanha capitalista que pode destruir o mundo, enquanto isso der dinheiro. E depois os empreendedores prometem recuperar o mundo, com novas tecnologias de queimar lixo, por exemplo, se... isso der lucro a alguns.
Sim, chamem o filósofo. Temos muitos por aí. Há tarefas mais simples aqui, como prestar atenção na diferença entre direitos e deveres. Básico, pois está em nossa Constituição de 1988: temos o dever de preservar e recuperar o meio ambiente (e não exatamente o direito ilimitado de explorar os recursos naturais, que são um bem de todos e pode ser simplesmente preservado e admirado).
A mãe natureza não está aí à disposição do pai capital. Ela já se cansou de ser explorada desde as eras míticas de Géia e Urano. Mais respeito agora.
Além disso, não podemos aceitar o maniqueísmo de certa parte da opinião pública que ou ignora o assunto Código Florestal ou reduz tudo à disputa entre dois blocos: ambientalistas e ruralistas, para os quais destinam adjetivos que avacalham com o diálogo.
O cidadão comum deve se interessar por esse assunto vital, embora esteja fora desses dois grupos, pois é maioria e é o consumidor dos produtos da agricultura, área com grande capacidade de pressão. O consumidor pode boicotar produtos. O cidadão pode defender, como se faz aqui, seu direito de opinar e de convencer os parlamentares. Não somos especialistas, nem investidores, mas devemos ser ouvidos, pois queremos respirar ar puro e fresco – pelo nariz, como disse Caetano.
E não queremos que derrubem mais florestas em nome do desenvolvimento ou do progresso. Aliás, filósofo pode ajudar a criticar esses conceitos ambivalentes e relativos, pois como disse Adoniran Barbosa, antes de cantar a saudosa maloca: “É o progresso: o pão cai e cai com a manteiga pra baixo.”
Não vamos deixar cair. Talvez sustentabilidade seja isso: segurar o mato em pé (e assim termos onde nos segurar).

Um belo angico isolado em um pasto, às margens de uma rodovia goiana,
próxima a BR 153, no trevo de Pontalina - foto de setembro 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

LIVROS FORA DE LUGAR E PIADAS FORA DE HORA

Onde colocar um livro com o título Parerga e paralipomena? E que tal este: Os arcanos do inteiramente outro... A chance de errar é grande e é melhor não chutar. Olha na ficha catalográfica.


Qual é o tema? Idéias fora do lugar, inspiradas por livros fora do lugar.Ou seja,
O CONFLITO DAS FACULDADES
que, na verdade, denunciam
O CONFLITO DAS (MINHAS) FACULDADES MENTAIS

Antes, porém, vamos às obras que se tornaram famosas também por serem deixadas em estantes erradas.
Essa obra sobre nossa história não deveria ficar
ao lado de tratados da mandioca e da cenoura

Essa obra não veio de nenhuma betoneira e
só ajuda o engenheiro na construção de um certo socialismo...

E as coisas pioram na biblioteca quando, enrubescido, o estagiário pensa que vai levar uma bronca. Esses livros deveriam estar na gaveta da diretora!
Depois do grande sucesso do volume 1, aprenda como
se enroscar na queda de braço e no corpo a corpo da política

E outro filósofo também trouxe sua contribuição, sem a malícia dos trópicos, onde surgiram também a guerrilha e a republiqueta de bananas. Engajar-se é tomar posição. Ou não?


 
O artista da capa merece elogios. Vejam como ele situou as palavras e
decerto também as coisas: uma de pé e outra deitada

Um filósofo francês disse recentemente que o filósofo é um sujeito que quebra a cara. Tem razão. Foi o Deleuze ou o Derrida, um deles. E isso se refere a tantos de nós, sem dúvida. Aqui começa a fazer água nosso projeto de criar uma seção para livros fora do lugar. Nós é que ficamos sem lugar. Vejam isso:


Sim, é a capa de um livro.


Aliás, de um inocente livro sobre contação de histórias, lendas  e parlendas infantis...

Que vergonha para o jovem estagiário!
Que mico pagam todos os que maliciam!

De volta a Deleuze. Quem quiser um ótimo guia para entrar na catedral kantiana, pode contar com esse francês nosso contemporâneo. Ele entendeu a arquitetura do alemão e nos deixou esse precioso livro, cujo subtítulo é "a doutrina das faculdades". Desde entonces, pensava que "o conflito das faculdades" do próprio Kant tinha tratado das mesmas forças: imaginação, entendimento e razão em geral. Ledo engano o nosso. Vejam no que deu. São dois sentidos de "faculdade" bem conhecidos em nossa linguagem corrente. Mas os equívocos também são parte do esforço de compreensão. Admitam.

Enfim, para dar razão a Freud e Cia., o título de Kant indica aquilo que você não queria admitir: o conflito referido por ele é mesmo uma briga entre a faculdade de teologia e a faculdade de filosofia. Não brinca! Já vimos isso em alguns campi por aqui: em São Paulo houve um pega pra capar entre estudantes de duas faculdades de direito, não foi isso? Sem falar do entrevero ocorrido bem aqui no cerradão entre uns e outros. Deixa pra lá.
 

Não foi aquele entrevero entre alunos da Pi-delta-kappa com a...?
 

Aqui está um artigo para quem quiser um resumo comentado do livro de Kant. Uma informação histórica preciosa sobre origens da prepotência de certas áreas do saber - aquelas que sabem arrancar dinheiro do rei e dos súditos em apuros.
Artigo do Hermas g. Aranha, na coletânea da editora Liber Livro, Brasília, 2011
Kant também penou com o puxa-saquismo do rei, que favorecia a medicina, o direito e a teologia. Sim, o pastor era um funcionário público... Já o filósofo, desde pelo menos uns 300 fica pra escanteio e tem que lutar por seu lugar no campus e nas editoras.
Enfim, alguns reis gostariam de fazer com os filósofos aquilo que o bibliotecário maluco fez com nossos livros: expatriá-los. Ainda bem que algumas rainhas nos quiseram como preceptores e sabe-se lá o que mais, nas alcovas reais. Descartes que o diga, pois não era bobo, nem nada e só se levantava depois do meio dia. 

sábado, 5 de novembro de 2011

ENTRE DESCARTES E NIETZSCHE

NOBODY CARES. O filósofo do cerrado descobriu a fórmula “twenty times” que explica parte da estratégia norte-americana de dominação, ao ritmo da velha política do big stick, ou seja, na base do porrete. Mas ninguém liga e o mundo velho sem porteiras segue no mesmo trote morro abaixo.

Por isso, é hora de falar de amenidades. Aliás, um pouco de auto-ajuda não faz mal a ninguém – a não ser a mim mesmo, diria o roqueiro.

É uma espécie de tartaruga.
Same thing.

FILOSOFIAS DA VIDA. De volta à vida. Quanto tempo queremos viver? É bom viver muito? Aqui está uma tabela para animar os calouros da filosofia. Não se trata de medir QI e nem saber se você joga xadrez ou sabe falar de vinhos. O importante é viver muito. E aqui cada um pode se situar em relação aos filósofos que já partiram desta. O número à esquerda indica o quanto a figura viveu. A cada ano – se Deus lhe der vida e saúde – movimente uma casa para diante.

Km 55. O filósofo do cerrado, que nao inventou algo tão importante quanto o teste Voight-Kampff, está em 2011 entre Descartes e Nietzsche. Boa companhia, não?

Faça sua própria classificação. Veja como está seu ranking. Não custa nada. E não é  o tipo de mensagem que precise passar adiante. Importante é manter-se vivo e tentar chegar aos 103 anos. Para isso, não precisa ser arquiteto de JK, mas sem dúvida a combinação de verdad y método pode ajudar cada um.



29 NOVALIS – Georg Philipp Friedrich von Hardenberg (1772 - 1801)
38 LURIA, Isaac  (1534 - 1572)
40 LASK, Emil [1875-1915]
42 KIERKEGAARD, Søren Aabye - (1813 —1855)
46 BAUDELAIRE, Charles. [1821- 1867]
48 BENJAMIN, Walter [1892-1940)
49 AUSTIN - (Lancaster, 1911 - Oxford,  1960)
52 FICHTE, Johann Gottlieb [1762-1814]
53 MERLEAU-PONTY, MAURICE (1908 - 1961)
54 DESCARTES, René (1596 - 1650)

è 55 FILÓSOFO DO CERRADO (so far so good…)

56 NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm (1844 – 1900)
56 SAUSSURE, Ferdinand de: (1857 - 1913)
56 WEBER, Max [1864-1920]
56 ALIGHIERI, Dante: (Florença, 1265 — Ravena, 1321)
58 FOUCAULT, Paul Michel (1926. – 1984)
58 MAQUIAVEL, Nicolau [Niccolò Machiavelli] (1469 – 1527)
59 HERDER, Johann Gottfried von (1744 - 1803)
59 DURKHEIM, Emile. [1858-1917]
60 SIMMEL, Georg (1858-1918)
61 HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich [1770 – 1831]
62 WITTGENSTEIN, Ludwig Joseph Johann - (1889 —1951)
62 ARISTOTELES (Estagira, na Calcídica 384 a.C. - 322 a.C.)
63 ADORNO, Theodor (1903 – 1969)
63 HESS, Moses (1812-1875):
63 MANDEVILLE, Bernard de (1670 – 1733)
65 BARTHES, Roland (1915 — 1980)
65 BATAILLE, Georges (1897 – 1962)
65 SAINT-SIMON, Conde de, ou Claude-Henri de Rourroy - (1760 —1825)
66 KOJÈVE, ALEXANDRE (1902 - 1968)
68 HUMBOLDT, Friedrich Wilhelm Christian Karl Ferdinand (1767- 1835)
68 MEAD, George Herbert [1863-1931]
69 MAIMÔNIDES, Moisés: (1135-1204)
70 SÓCRATES (Fulano de tal, ...)
70 BRETON, Andre – (1896 – 1966)
70 LEIBNIZ, Gottfried (1646 - 1716)
71 LUHMANN, Niklas (1927 —1998)
72 BOURDIEU, Pierre: (1930 —2002)
72 SCHOPENHAUER, Arthur (1788 – 1860)
73 BAUER, Bruno (1809-1882)
73 HOLDERLIN – Johann Christian Friedrich (1770 – 1843)
73 KOSELLECK, Reinhardt [1923 – 2006]
74 DERRIDA, Jacques (1930 —2004)
74 KUHN, Thomas Samuel: (1922 – 1996)
74 LYOTARD, Jean Francois: (1924 —1998)
75 CASTORIADIS, Cornelius (1922 - 1997)
75 PEIRCE, Charles Sanders (1839 - 1914)
75 SARTRE, Jean-Paul Charles Azmard (1905 —1980)
75 SOREL, Georges Eugène - (1847 –1922)
75 KORSCH, Karl. [1886-1961]
75 ENGELS, Friedrich - (1820 - 1895)
75 MARX, Karl [1818, 1883)
76 JUNG, Carl Gustav (1875 -1961)
76 RORTY, Richard: (1931 - 2007)
76 VICO, Giambattista (1668 - 1744)
77 FREGE, Friedrich Ludwig Gottlob: (1848 - 1925)
77 PARSONS, Talcott Edgar Frederick (1902 - 1979)
78 BACHELARD, Gaston (1884 - 1962)
78 DILTHEY, Wilhelm (1833 —1911)
78 HORKHEIMER, Max (1895 – 1973)
78 RUGE, Arnold (1802-1880):
79 HUSSERL Edmund Gustav Albrecht  (1859 —1938)
79 SCHELLING, Friedrich Wilhelm Josef. [1775-1854]
80 PLATÃO (Fulano de Tal... há muito tempo)
80 LACAN,  Jacques-Marie Émile (1901 - 1981)
80 KANT, Immanuel - (1724 —1804)
82 FREYER, Hans (1887 - 1969)
82 HAMANN, Richard Henry: (1879–1961)
82 BERGSON, Henri-Louis (Paris, 1859 —1941
83 FREUD, SIGMUND (1856 —1939)
84 PIAGET, Jean. (1896  -1980)
84 SWEDENBORG, Emanuel  (1688 – 1772)
85 SCHOLEM, Gerschom: (1897 – 1982)
86 DAVIDSON, Donald Herbert (1917 – 2003)
86 JAKOBSON, Roman Osipovich: (1896 - 1982)
86 JASPERS, Karl Theodor: (1883 - 1969)
87 CREUZER – Georg Friedrich (1771 - 1858)
87 HEIDEGGER, Martin [1889 – 1976]
88 DUMÉZIL, GEORGES (1898—1986)
89 LÉVINAS, Emmanuel: (1906 —1995)
91 HOBES, Thomas (1588 – 1679)
92 POPPER, Karl R. (1902 —1994)
96 BLANCHOT, MAURICE (1907 -- 2003)
97 SCHMITT, Carl - (1888 —1985)
100 LÉVI-STRAUSS, Claude (Bruxelas, 28 de novembro de 1908...)
100 e tantos GÓRGIAS DE LEONTINOS (sem registro em cartório...)
102 GADAMER, Hans Georg. [1900 – 2002]

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A tabela ainda está sendo testada. Já passamos da fase de laboratório, com ratos e homens. Aos poucos, alguns escritores serão substituídos por filósofos com pedigree, antes que alguém entre com recurso. Por razões estéticas, seria bom dispormos de uma tabela que exibisse pelo menos um filósofo para cada idade. E quem souber de um pensador, tipo James Dean, que tenha vivido rápido e morrido cedo, favor enviar comentário.
Ainda não foi lançada uma maquininha nossa
equivalente a essa do Blade Runner

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

VINTE POR UM É SACANAGEM



WANTED
Cadê nosso seguidor desaparecido?

Justamente agora, a menos de mil dias da Copa 2014, sofremos um desfalque em nosso incompleto time de seguidores. Esperávamos a adesão de nosso undécimo follower, mas ao que parece ele ou ela preferiu seguir outra infovia.  Será que nosso quadro de seguidores teve um desfalque  por causa do assunto guerra. O blog declara que não quis assustar ninguém. Todavia, para evitar confusões e tumultos, cabe esclarecer que o termo blog não tem nada a ver com a sigla do exército: B tracinho LOG, sigla para Batalhão de Logística. Já a logística, adotada pelos capitalistas selvagens da era yuppie de fusões e racionalidade besta, deve tudo à retórica da guerra. Podem apostar. E quem perder a aposta vai pagar noventa apoios.
“NO MORE WAR, NO MORE WAR, NO MORE WAR (everybody must live together...)”
Por falar em guerra e por concordar em parte com Pondé, o filósofo fumante da Folha de São Paulo, precisamos parar com essa conversa fiada da qualidade de vida. O que nos assusta continua a ser a... quantidade de mortes. De novo aquele  mormaço deste outubro vermelho de sangue nas areias africanas. Pra variar.
É mais uma ação espetacular da OTAN, que, dado seu envolvimento com os negócios do petróleo, poderia ganhar um C de combustível, na sigla, e virar algo assim como OCTAN, pra quem se lembra da octanagem da gasolina azul.
Calma! Não pensem que este blog vai descambar para a crônica impressionista. Não só. Se querem saber para  que serve um filósofo qualquer ou justamente esse, perdido no cerrado, aí vem uma prova. Oh! Tem gente querendo mostrar serviço. Uma descoberta e tanto, que já foi apresentada com sucesso na Academia* e recebeu o apoio explícito de Dilma.**

UMA DESCOBERTA cheia de cálculos

THE ROARING TWENTIES
(anos 20 - quando vintage virou sacanagem)
Tantas décadas depois, a proporção de “inimigos” mortos para cada soldado norte-americano abatido continua a mesma, na casa dos vinte por um (20x1). Obama acaba de anunciar que vai trazer seus soldados de volta aos States até o final de 2011. Os milicos passarão o ano novo com seus familiares e logo a seguir vão para a fila dos desempregados, em um pais falido pela guerra de 4 trilhões. Aí vemos um balanço de mais ou menos 5.000 soldados norte-americanos mortos, contra a estimativa de 110.000 iraquianos matados. Esse assustador contingente de vítimas no Iraque pode estar subestimado. Mas, se for assim, os americanos do norte parecem manter seu score obtido no Vietnã. Vejam o quadro. E notem que os feridos do outro lado não são contados.
Estados Unidos: 2.300.000 homens serviram no Vietnã de 1961 a 1974, com 46.370 mortos e 300.000 feridos.


Vietnã do Norte e Vietcongues: cerca de 2.000.000 homens, com 900.000 mortos no total.


E agora, pasmem, caros leitores, com esta descoberta! Para quem se achava livre da matemática desde que decorou três teoremas na sétima série... Seguinte: assim como nas guerras declaradas, cada norte-americano  consome  o mesmo que vinte estrangeiros pobres, em tempos de paz ou seja, longe do fron. Cada pobre deles ganha exatamente vinte vezes a merreca de nossa pobreza abaixo do Equador (e em cima dele também, que é aliás uma linha). Os mais pobres dos EUA são vinte vezes mais ricos que nossos pobres, portanto. Uma sacanagem.

YES, WE PICK BEER CANS
Pela primeira vez em 52 anos, o percentual de pobres lá nos Estado Zunido chegou a mais de 15% - e já tem cara catando latinha around the corner.

http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/eua-tem-maior-numero-de-pobres-em-52-anos-mostra-governo.html
Aí descobrimos que, enquanto nossa linha de pobreza oscila entre 1 e 2 dólares por dia, por pessoa (ou seja, pra rachar ao meio: 1,5 dolar por dia) lá nos EUA a renda anual desse pobre na corda-bamba chega a 11.000,00 USD para uma pessoa que vive sozinha. Vamos às continhas: 1,5 dólar X 365 dias=547 USD. Agora multiplique por 20, como se fazia em Saigon ou Bagdá: 547 X 20= 10.950,00, ou seja, quase 11.000,00... Essa diferença de 50 dolares em um ano fica por conta da oscilação do próprio dólar ou para a gorjeta.

Enfim, os norte-americanos se acham mesmo mais valiosos que nós, vivos ou mortos.

Vinte vezes mais.
Vão ter que abaixar a crista. Ah! Vão...  Desta vez, alguém lá de cima, os bacanas do hemisfério Norte, vão se abaixar para catar latinha e bituca. Não é desforra (ainda); mas vale o recado: Caro Obama,  pare de torrar grana e vidas em guerras imperialistas, mano...
OBAMA DA PAZ?

YES, YOU SHOULD!






sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DEVE SER UM PROBLEMA NO PLATINADO


Ou cisco na vela. Róla muita conversa fiada na imprensa sobre tecnologia. Coisa de criança, mais exatamente  bad boys com um notebook ou tablet e alguma queda para o design futurista. Vários futuros já chegaram, mas cadê os carros-conceitos? Alguns não chegaram à carroça-noção, como diria o Collor, se pudesse.

QQ isso? Deve ser o Zé Gotinhamóvel
Alguns desenhos metidos a besta tem a aparência de um sabonete usado. Dali tiram a aero e a hidrodinâmica de suas idéias mirabolantes. E é preciso fazer média com a consciência culpada do consumidor-poluidor. Aí dirão que para cada carro novo uma árvore será plantada. Balderdash and Co.  Sustentabilidade é uma balela. O carro elétrico é tão antigo quanto o Fordinho T, que era uma cristaleira com motor tuc-tuc.

Grátis um limpa-vidros e um porta-trecos

Poeminha flex  2.0, zero km, incompleto
O carro do futuro não terá rodas
A roda do carro não terá raios
O raio do carro não terá motor
O inexistente motor não fará fumaça
Massa! Nem breque nem buzina nem IPVA
O carro do futuro não terá sentido nem direção
Nem lugar pra dois no expresso dois dois dois
Nem banco duro nem pneu nem furo
Pois no futuro não haverá carro
 do futuro mantenhamos distância.
oooo 
(psicografado pelo espírito do tempo de Leminski Catatau)

Este blog não deveria vir agora com piadinhas. Vamos do agudo ao grave: a morte. Alguém aí esperava que este século começasse matando tanto assim? Este XXI fresquinho ainda “nas fraldas sujas da história” que não acabou já expôs as carcaças inglórias de Saddan, Bin Laden e, agora, Gaddafi and sons.  Fotos de celulares nas mãos dos rebeldes.
A imagem das fraldas é de Walter Benjamin, que, em uma de suas teses sobre a filosofia da história cita essa sacada genial de Leon Daudet:
“L´automobile c´est la guerre.”
Passat 74, muito prazer

Em 1993, na Babel de um curso de alemão para estrangeiros, aparece um iraquiano que mais parecia um primo da gente. Falávamos ainda inglês, que rendia mais que o incipiente alemão. Boa conversa do grupinho já no coquetel de boas-vindas. Ao ouvir o nome Brasil, o iraquiano riu à beça. O Brasil das construtoras era mais associado ao carro que exportava: o velho Passat. Para nós, motivo de orgulho. No Iraque, não era bom negócio um carro que dava tanta oficina.
Semana depois, mais drinks e mais libido, o colega se apaixona por uma moça de outra turma. Eram duas irmãs, que viviam zanzando e não aprendiam a língua. Repetiam o semestre e permaneciam por ali, com dinheiro à vontade. O rapaz logo se desiludiu e até pediu transferência para outra cidade, Heidelberg. Na despedida, apontou para as moças e perguntou aos primos: “Do you know the meaning of disgrace?”
As moças eram filhas de um general líbio. Montado na grana. Ditadura que agora caiu em desgraça.
Nos últimos anos, ao ver carros detonados pela guerra de Bush no Iraque, vinha o temor. Será o brimo sobreviveu? E agora dá o que pensar. Não estariam as moças em fuga após o cerco que matou Gaddafi, filhos e generais? Teriam morrido sem ler Schiller no original?
Tema para desenvolver: como é difícil levar a democracia ao resto do mundo! Tem que ser na marra, a ferro e fogo? E o capitalismo vem junto no mesmo kit de destruição & reconstrução? Por enquanto, uma certeza, reforçada pelas imagens: essa na Líbia foi a guerra das pickups. A Otan armou rebeldes com as mesmas camionetas que aqui correm à toa pelos canaviais. E decerto a gasolina foi liberada, além dos cartuchos carregados. Claro, claro. É mais uma guerra por petróleo, que queima petróleo. Mas também pelas liberdades, inclusive a nossa de ir e vir. Reviravolta.

A parte elétrica tá supimpa

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PARAPSICOPATOLOGIA não é PROPAROXÍTONA
Em respeito à memória do grande Ibrahim Sued, em essência o padroeiro de colunistas de socialites de todos os gêneros, fica decretado ou facultado como se segue: quem não conseguir emitir a correta seqüência de sílabas da palavra Fe-no-me-no-lo-gi-a, fica dispensado ou dispensada de soletrar H-u-s-s-e-r-l .  Mas com isso não se insinua que seja tão essencialmente engraçado como quis crer um certo Molière que alguém tenha passado grande parte da vida a falar francês sem que tivesse consciência de ter estado todo aquele tempo a empregar  vogais. Ah! É?

-------- NOVA SEÇÃO DAS DEZ -------
 “No tempo do cinema surdo”
“Um bonde chamado desejo” é um título muito sutil e freudianamente verdadeiro para um belo e pesado teatro filmado. A censura ianque promoveu aquele filme em quarenta e nada e o infeliz título dado no Brasil fez o resto: “Uma rua chamada pecado”. Não há rua e nem tem pecado, para os padrões gerais mais recentes. Ou pelo menos não há – em lugar algum – tanto pecado quanto desejo. O desejo ganha disparado, pois esse trem é o que arrasta a trama. Já o nosso Nelson R. cansa, mesmo quando chama Lucélia Isaura. Bem depois de o vento levar sua Tara, Vivian Leigh já não era tão bonitinha e nem merecia o lugar de ordinária. Mas era professora de poesia e não soube entrar no jogo suburbano e superegótico de tapas e beijos.
(O “Cinema surdo” foi criado por um ato falho do velho Antônio Justino – sua bênção – seguidor de McAdam, que, ao contrário do xará menudo canadense, jamais usou playback.)

MÓ NO NADA
Minimalismo tem limite. Para os insatisfeitos com este post, do tipo que resmungaria, até com razão, aliás: “não tamo nada satisfeito” , um alento >em breve algumas achegas ao delírio da figurinha carimbada aqui, o versátil Godofredo Leibniz.
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ANUNCIE AQUI
(em breve: pesadelo de Adorno no Grande Hotel Abismo)