domingo, 1 de abril de 2012

A EMPREGADA TEM EMPREGADA

Reviravoltas da falsa dialética:

Parada 1: Namorada dá na morada
Quem é que entende o ex-genro do Chico Buarque? Grande compositor o baiano Carlinhos paramentado de Bispo Brown, que canta a namorada. Novidade: a namorada tem namorada. Essa seria, segundo nosso mestre e guru Stein, uma boa circularidade. Pelo menos para os chegados na imaginação meio safada. Aê, demorô.
http://letras.terra.com.br/carlinhos-brown/44865/

Parada 2: Patroa vira empregada da doméstica
O dia que a classe operária for ao paraíso talvez não seja o dia em que a classe burguesa descerá aos infernos. Os pobres vão morar nas mansões do Bairro Lídice. E os ricos vão mofar em barracos de lona preta à beira da BR. Depois da revolução? Pode ser, pois as contingências desviam nossos projetos históricos: pode não ser, daí. Ademais, o problema está mal colocado: “pobre” e “rico” é papo de religião caridosa: nós somos a working class. Sea lo que sea, a mera inversão não é ainda a superação dialética coisa nenhuma. Mas tudo bem, já seria uma boa vingançazinha: ver as madames ralando. Eivada de preconceitos é a canção de sucesso de Eduardo Dusek, que virou filme e teatro e briga na feira: a bacana tem empregada, mas cai em desgraça e a madame acaba virando empregada de sua ex-doméstica, agora madame cheia dos querê.Vejam que não é fácil domesticar o capitalismo, essa instabilidade cheia de curvas e índices.


Parada 3: A empregada tem empregada
Surpresas da ascensão social no Brasil da era Lula-Dilma, sexta potência mundial, com IDH nanico. Notícia recente em Uberlândia, começo de 2012:
“(...) Com mais tempo livre e mais renda, algumas empregadas conseguem pagar outro trabalhador para cuidar das suas casas. G. B. trabalha de segunda a sexta-feira e para aproveitar o fim de semana, ela paga uma sobrinha R$ 60 para fazer a faxina semanal de sua casa. As sextas-feiras à noite, ela e a família vão para a chácara que possuem num dos loteamentos na Represa de Miranda, onde costumam passar o fim de semana. Para ir para o trabalho, ela deixa o carro na garagem e vai de ônibus para economizar.”

Parada 4: O avesso do avesso da profecia
Geringonças para a guerra e para a guerra do comércio

“Mundo velho tá perdido, já não endireita mais”. (Obrigado Tião Carreiro e Pardinho!) É que inverteram a profecia de Isaías.
“E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear.” Isaías 2:4
Essas lagartas estavam predestinadas a ser taturanas

Na história recente, fizeram justamente o contrário: o trator agrícola foi transformado em tanque de guerra, conforme podemos ler no belo livro que conta a história da marca Caterpillar: “O Oficial britânico, frequentemente creditado como o pai do tanque, visitou Benjamin Holt em abril de 1918. Swinton disse que foi o trator do tipo com esteiras (lagartas) que inspirou sua idéia do tanque e ajudou a mudar o curso da guerra”. (All in a day’s work: seventy-five years of Caterpillar. Forbes Publish., 2000, p. 15 - essa marca surgiu da fusão da Holt com outra).
Parada 5. E eis que virão dias modestos
Esfregar roupa não mata ninguém

Em tempos bicudos, caberia uma nova onda de profecias, mais realistas, com base em uma escatologia mitigada. Maluco não falta por aí. Muito Odorico Paraguaçu vai ter seu dia de Beato Salu, já já. E não é que isturdia grande um prefeito gaúcho recomendou que todos estoquem mantimentos e erva (mate). Pois... o fim está próximo, meus irmãos. Devem os novos profetas sugerir coisas menores, tipo plataforma reformista. Coisas assim: “e eis que com as tábuas dos paletes que embalaram suas máquinas de caça-níqueis farão tanquinhos de lavar roupa suja em casa de senadores, etc.”

Seção Infantilidade filosófica
(agora sem gordura trans)

Três dilemas para colorir
e uma recompensa pra levar de lanche

Exemplos de dilema, para os inocentes que ainda não podem entender o que seja uma sinuca de bico. E para os dimenó que não estranham o impasse que se passou entre a mula e o mulo, a título de emulação:
Dilema 1: Para um míope, qual é sempre a coisa mais difícil de encontrar? (Resposta, sem virar de cabeça para baixo: Seus óculos.)
Dilema 2: Se eu faço café de manhã para ligar os neurônios amanhecidos, como posso coar café (para ligar neurônios) antes de tomar café?...Ou seja: ainda com os neurônios desligados?...E...como é que é mesmo? (Já chega, entendemos. E cuidado com o bule aí no fogão!)
Dilema 3: Um certo filósofo muito do organizado,  rigoroso pra dedéu, escreve na sua agenda, no dia 31 de dezembro de 1787: “comprar uma nova agenda”. Mas esqueceu-se de ler no dia certo. E agora, começa o ano de 1787 e ele está sem agenda nova e não pode começar a organizar nada, pois não tem agenda e é contra seus rigorosos princípios ler a agenda do ano anterior – pois até tem uma vaga noção de que anotou algo ali. E ele teria que ticar o item, dar baixa, etc. (A solução veio das sobrinhas do capitão Manoel, que enviaram de presente ao tio uma nova agenda, dessas de bolso. São muito práticas. Foi uma coincidência e veio a calhar, admitiu o velhote em tom categórico.)

Criança diz cada uma (que parece dez)
Durante décadas líamos a página dos Bloch, na revista Manchete: “Criança diz cada uma!” Depois cada um de nós começou a conferir em casa, com os filhos e sobrinhos, a inteligência desses queridos espertinhos. Eles cresceram, a garota-propaganda dos Bloch apareceu na capa da revista em 1988, aos quinze, de shortinho (eh!). Elas gostaram, as crianças. A revista faliu. A moça virou apresentadora de TV, etc. etc. Vê-la na revista foi uma recompensa para centenas de pirralhos que outrora diziam cada uma. E agora trazemos também aqui um agrado para os pequenos pensadores. A todos que nos ensinam na simplicidade e na ambigüidade das definições ostensivas, nosso presente:
 o banho da meia-noite.
Amigão do Chico Bento

O Erick já adotou (e o Bruninho não deveria ler isso aqui), desde os sete anos, e sua mãe Sandra ficou pê da vida com este filósofo do cerrado nem sempre chuvoso. As crianças adoram brincar na rua até tarde ou perder tempo com games. E era bom dormir fora de lugar, no banco de tábua lá na varanda da roça. Preguiça geral de tomar banho. Pois aqui vai a sugestão, registrada em cartório, com patente e tudo: criançada suada e cheia de macuco, quando for mais ou menos 23:58, entrem debaixo do chuveiro (e não vale levar guarda-chuva, como faz o Didi Mocó!) e fiquem ali cantando na chuva e lavando as voltinhas da orelha até... as 00:02. Em quatro minutos, vocês poupam água para salvar o planeta, poupam energia longe da hora de pico e... eis a grande vantagem: esse banho vale por dois dias. Pois na noite seguinte, quando alguém vier com aquele papo de vai tomar banho, vocês respondem cheios de razão que já tomaram banho. E aí, outro incômodo desses só 47 horas e 56 minutos depois.
Esse belo artifício politicamente correto acaba de receber o respaldo da comunidade científica internacional. Esta semana, duas notícias maravilhosas: higiene demais nos deixa doentes + comer pipoca faz-nos bem. Sem surpresas e sem muito sal. 
Sobre a vantagem de brincar na terra, vejam neste endereço e outros milhares:


Seção limpando gavetas
"Democracia e República"
Notas para a última aula de filosofia política: a diferença pode ser ilustrada como se segue.
A república proíbe a afixação de símbolos religiosos em prédios públicos. A democracia permite que todos exponham seus símbolos de crença e de descrença.
Alguns senadores andam pedindo uma “refundação” da república. A democracia é conquistada, aperfeiçoada, discutida em grupo. A república é fundada por alguém, quase sempre um militar, com um golpe. A democracia exerce a liberdade; a autoridade, a república a funda.
A democracia quer saber o nome dos torturadores, para que não se repita. E quer localizar os ossos dos jovens na selva do Araguaia. A república velha de Caxias, Tamandaré e Hercílio Luz matou Conselheiro, Muckers, Profetas, pobres famintos, cangaceiros, mulheres e crianças em todos os movimentos de oposição ou de autonomia.
A república tem armas, escudos, bandeiras e hinos: é a nação. A democracia argumenta, reivindica, protesta: é o povo.
A Alemanha teve um suspiro republicano em Weimar,de 1919 a 1933. A redemocratização do Brasil já passa dos trinta anos, com bons resultados.
Há muitos exemplos de pequenas e sossegadas democracias, ao passo que a gigantesca e autoritária China é uma República.
Na origem da república brasileira, predominavam os engenheiros; na democracia, os advogados tem metade das cadeiras.
A democracia declama, no chão da praça pública; a república proclama-se (de cima de uma cavalo).
A república insiste em soberania (acima da autonomia universitária, por exemplo), ao passo que a democracia é a luta por direitos.
A república desconfia da anarquia que se esconde na democracia – quer a ordem a ferro e fogo; a democracia fica atenta ao despotismo fardado da república dos Deodoros – prefere o progresso acertado no consenso.
E o teste é sempre este: onde queremos viver? Em que regime? Quanto nos custou chegar aonde chegamos? E tenhamos cuidado com as combinações desastrosas, tipo “democraduras” – longe de nós!
 Etc., inclusive um desacordo: democracia não deveria ser adjetivo, como em "República Democrática do Congo" - até porque o Zaire é que foi um grande democrata. E é. E alguém já viu a bandeira de uma "Democracia republicana"? Democracia é um valor substantivo: nós é que lhe damos sustança.

UFU: ocaso


(Ao procurar imagens no Goooogle para ilustrar essas confabulações, vejo título de um texto sobre os dois temas, de um filósofo midiático brasileiro. Não tinha lido e não vou conferir. Prefiro dar uma de Ludwig Desaforado Wittgenstein: "me é indiferente se outro se o que pensei já foi pensado por outrem antes de mim", no prólogo do TLPh.)

sábado, 24 de março de 2012

MAS QUEM NÃO É CHICO?

Adeus, xará!

As últimas badaladas notúrnicas

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E prometo passar a segunda metade da vida ouvindo de novo e sempre aquela fita cassette, sucesso desde 1979 na república da rua Indianópolis. Com uma boa cachaça na conversa boa, tá sabendo? Ô, Geraldinho, o que é que eu tô fazendo neste post, bicho? E cadê o Grilo, o “seu Mechelô”, Donana e José Bonifácio?
Alguns colegas me chamam de Bento Carneiro: por exemplo o Ed Morte, na Paraíba. Ou o Mateus, aqui da UFU, agora lá no elenco celeste das meias-duplas caipiras, onde já moram dois Trapalhões. Às vezes eu retribuía o cumprimento com um “Olá, Kalunga!”, sem apelar e de boa.
Mas se querem saber, me identificava muito é com o Tavares. Não tanto pelo bom gosto etílico (uísque nas pedras – olha a cascavel!)  e nem pela esperteza de quem não tinha salário de ministro Simonsen pra bancar o vício. E nem nada.

Mas quem não é?
Sucede que o Tavares é, dentre os duzentos personagens de Chico Anisio, o mais interessante para a filosofia. Sua frase “sou... mas quem não é?” deve figurar à altura das confabulações de Heráclito e de Hamlet sobre ser ou não ser. (Uma vez ele exagerou nas doses, me disse o Lilico, o Bé Ribêro, e bolou as trocas: “é... mas quem não sou?”)
Chico deixou de ser, cansou de sofrer em hospitais e andava estressado com a matemática: como dividir 200 tipos com sete viúvas? Mesmo com 6 daria dízima periódica. Espero que o Bento Carneiro não fique com a Zélia. E que o Tavares não sofra de sede, sem seu scotch.

No fim da estrada, uma tropicália psicodélica: é muito justo, justíssimo!
Anísio foi capaz de montar e de manter uma cidade, uma city – universal em sua aparência sertaneja. Sua capacidade musical, ao lado de Arnaud Rodrigues, foi além da paródia. Deixaram belas canções, meio perpendiculares ao tropicalismo. Um cearense tem que ser muito fera pra bancar o baiano – ou imitar a gaúcha Salomé.   
E o cara ainda escreveu? Não teve vergonha de ser tão talentoso? E achou tempo. E mereceu prefácios de gente graúda. Não é mentira, Terta.

Do ponto de vista dos Gigantes Chico e Ziraldo
Por fim, o fim e outra identificação: o contador de causos Pantaleão. Eu queria ser aquele coronel, rodeado de ouvintes atentos – no tempo dos perigos e valentias. Antes da televisão.

-Verdade!

sexta-feira, 16 de março de 2012

MIÚDOS, SEM ÁCIDO ÚRICO

E no seco, seu gualda? Pode?

 Mais um episódio da série “kantianas em fá maior”
Nem todos somos filósofos, mas muitos podem criar frases dilemáticas à moda kantiana, que se encaixem no esquema: “x sem y é vazio e y sem x é cego”. Ele mesmo, Immanuel, preencheu o dito com imaginação e entendimento. Entenderam qual é qual? Agora essa! Uma placa em um parque de Uberlândia. Soa um pouco diferente e nos faz pensar no sentido da proibição, tipo “can” e “may”, como vimos nas aulinhas de inglês. Você não pode nadar depois da tela – o guarda não deixa. E você não poderia nadar antes da tela -  pois... não tem água. Só por causa disso.
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 SEÇÃO AUTO-REFLEXÃO DOIS PONTO ZERO
 filosofando em cima do carro (pra não rodar com a enchente)
Já incorremos nessa análise apressada, mas antes que o sinal fique verde, posso retirar o que disse ou pensava sobre a imitação do design na indústria atual. Se não for seu dia de garagem no rodízio em Sampa, pegue seu carro como exemplo. Certamente há inúmeros carros parecidos com ele, de outras marcas, pois os asiáticos imitam os europeus, que imitaram os norte-americanos. Já viram a imitação chinesa do Mini Cooper? E as variações em torno do mesmo design nas marcas coreanas? Ok. Pode ser, mas não é novidade.

No Museu do Automóvel, em Curitiba, podemos corrigir essa impressão ideologicamente carregada pela desconfiança no capitalismo tardio – ou retardado. Não quero ser um desses. Calhambeques, todos parecidos nos anos vinte. Todos semelhantes ao Ford T e não sabemos mais quem começou a colocar rodas com raios de pau e motorzinho de 15 hp em cristaleiras.

Essa é a origem do design: nas marcenarias, onde fabricavam carruagens, armários de cozinha e mesinhas da perna torta com pata de leão.
E depois, as banheiras que queriam ser aviões. Os logotipos tridimensionais no capô variavam de mulheres aladas e seios bicudos a cães de caça saltando e, claro, aviões. Hound dogs. Carros com rabos de peixe e asinhas em homenagem aos DC10 e aviões de guerra. O design do carro agradecia a vitória na segunda guerra. Sim, ideologia ufanista.

Mas, enquanto isso, lá fora do museu, a vida ferve no parque Barigui. Carros novos e tunados, sonzão ligado, motos gordas e pneuzudas. Moças de shortinho, latinha na mão. E esse ótimo recado meio grosseiro no estepe do jipão. Fazer o quê? É um fora de estrada, mas paga impostos e tem o direito de vir e ir não só no acostamento.
TÁ COM PRESSA?
PASSA POR BAIXO.
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A PINTURA MORREU
(para você, seu míope ingrato!)
No caso das artes, é assim: prepare uma históriazinha de sua infância. E vale inventar uma em cima do lance. Tipo assim: meu avô fazia jacá e eu resolvi fazer objetos de bambu, pra poder estar mostrando etc. e tal. O pai do outro rebobinava motor elétrico e ele resolve eleger o cobre, por sua materialidade, suas virtudes maleáveis, etc. (Ah! Não se esqueça do conceito! Energia, nesse caso. E funciona, sobretudo para o vernissage. Um estudante de arte que chegou atrasado ou não teve aquela presença de espírito. Há três semanas fez umas fotos de um banco fincado à beira de uma praia. Tábuas pintadas que teriam sido de carroceria de caminhão ou de barco.
Na Folha de Sao Paulo, dia 28 de fevereiro de 2012

E agora ele vê uma foto no jornal, notícia de uma exposição de um artista alemão. Puxa, cara! É a mesma coisa! Diz ele aos colegas, entre surpreso com a coincidência, tipo “eu estou no caminho certo" e revoltado, tipo "essa Bienal  tem as manhas".
Que tal essa montagem? Uma em cima da outra, como se estivesse na galeria, diante do visitante.  
Sucesso, vem pra mim que eu também quero!
(montagem sobre foto da FSP acima referida)


Nada. Não implica em nada. Uma foto de umas tábuas com certas cores e grafismos não faz de ninguém um artista. O alemão trouxe diversos quadros e é isso que merece ser chamado de “obra”. E ele contou sua história (e se é alemão, há alguns lances terríveis e prediletos) e é capaz de sustentar no gogó a sua criação. Isso, a prosa em torno, faz parte da obra, como também se colará a ela a crítica. E também minha paródia. E tenho historinha? Sim, a estética da recepção permite-nos também buscar ressonâncias na memória. Revelo essa: meu pai comprou umas tábuas velhas, pintadas e repintadas, da carroceria de um caminhão. E fez com elas um cercado para o cavalo. A gente brincava por ali no quintal e gostava de descascar as tintas com as unhas. E novas camadas, em outras cores iam surgindo.
Gestual: Unha e prego, em alemão, são a mesma palavra Nagel.

Mas não deu em nada, pois falta muito aqui para surgir um artista. Tipo levar uma parede para a bienal, como fez o Marepe. Genial. Cortou e levou a parede da velha mercearia do pai, de alvenaria. Altas estratégias de engenharia e logística. Ou aquela idéia de ampliar um brinquedo de madeira, um carrinho feito de caixote, até a proporção de um carro de verdade, tamanho um por um. Está no museu Inhotim, paraíso dos jardins e da arte atual, em Minas Gerais.
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LICHTENBORG
e seus desaforismos amestrados

“ERA DE UMA CLAREZA PASSAGEIRA, OU SEJA, EFEMERIDIANA”.

“Agora virou moda, como sub-produto da pretensiosa ‘ciência do esporte’, depilar pernas e braços de ciclistas e nadadores, pelas razões aero e hidro-dinâmicas, que guiam esses novos escravos do esforço físico rumo ao pódio das vaidades. Por conseguinte, seria razoável apostar que homens peludos e mal barbeados nos trarão o ouro olímpico no paraquedismo, que premiará o último a cair no chão .”
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FIM DO MUNDO EM 2012? Nem morta.
Não. Ainda, não. Só depois da copa 2014, com ou sem venda de catchaça no estádio. Finalmente, a NASA entrou nessa conversa para explicar que os indígenas Maias, com toda sua inteligência e violência, não tiveram condições de calcular rotas e impactos de meteoros. O mundo sempre pode explodir e isso pode ser este ano ou em outro qualquer, mas não se pode dizer quando. A nota da NASA não revela o método seguido pelos cientistas para desqualificar as previsões nostradâmicas da vez. Todavia, fontes secretas nos revelam (as mesmas que se dedicam ao hangar 46) que a chave para o desmentido científico foi uma sessão de sortilégio. Além dos búzios e do tarô, um recurso muito antigo é analisar as vísceras de animais. Se você quiser fazer isso em casa, fique à vontade, mas não precisa matar o poodle da vizinha. Derrame creme de leite em uma xícara de café forte. E em seguida, interprete os sinais. Nossa receita, ligeiramente calórica, rende uma porção de dúvidas e uma imagem meio nojenta. Mas o fim do mundo seria pior.
Faça você mesmo previsões com creme, açúcar ou adoçante.

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E AINDA TEM UMA CHARGE, DE SOBREMESA


terça-feira, 6 de março de 2012

NOTAS SOBRE ÉTICA E ETIQUETA

(... mas antes, porém)

MINHA GRAVURA DE GOYA, EL GROTESCO

Conforme el prometido, fiz una gravura actual para la série de caricaturas de Goya, expostas en el museo de Curitiba, lo del ojo. En breve, tempranito, la imagem será transferida para el post relativo al ensayo sobre el grotesco, en la série que expõe flashes de la história de la filosofia ocidental, en este blog pretensioso. Nota fônica: este portuñol deve ser lido com um toque de fronteira cuiabana, por influência del guaraní e del quéchua, pois é bacana falar tchapa, djaguá, catchaça y otras cosas del naipe.


- E não é que ficou boa!

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ADENDO AO CAPÍTULO 998
DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA UNIVERSAL

15. Um bolo em John People. Estava este filósofo brasileiro do cerrado posto em relativo sossego no brasileiro nordeste, em gozo de licença trabalhista, para trabalhar. Licença legal aquela, para concluir tradução. Tradução concluída, chefia! Claro, do flat com vista para o mar na praia de Tambaú. Desde homem da cobra a festa por posse de ficha-suja local, o busto do briguento Tamandaré, perto da casa de José Américo, é onde tudo acontece. Mas no âmbito acadêmico não me aconteceu quase nada, exceto essa bagaceira, como se segue. De repente, docentes novatos me convidam à queima bucha para um evento de filosofia no campus. No improviso, sugiro falar de meu novo livro. Ok. Fui no dia certo e na hora certa, com meia dúzia de exemplares desse livro sobre A transformação da Teoria Crítica e... cadê todo mundo, oxente? Anfiteatro no escuro e nem guarda sabia de nada. E ninguém pra se desculpar depois. Mistério, mistério – mas que não envolveu meu velho chapa Ed Morte. Coisa de calouros. Por sorte, não foi perdida a pernada até o campus da UFPB: por acaso me encontro com os doutorandos Paulo, de São João Del Rey, e Romero, do grupo Kierkegaard e militante de nosso sindicato.
16. Maceió deu tilt. Ao voltar da Paraíba, uma parada em Maceió, para comer um peixe e tomar um sol na praia do Gunga. Poderia ter acontecido também uma visita ao curso de filosofia, mas... o endereço de meu ex-aluno sumiu do poste. Achava a rua do agora professor – nosso orgulho na UFU -, mas a numeração pulava aquele lote vago. Pensei que ia vender uns exemplares e encher o tanque de gasolina, mas nada. Cada vez mais improvável uma vida cigana de filósofo que sai por aí vendendo livros como quem vende CDs em bares nas calçadas. Na pequena Grécia antiga talvez fosse viável a filosofia peripatética, mas nesse Brasil enorme sobrou-me o patético: endereço inexistente. E depois ainda vão dizer por aí que o moço não passou.
17. Um título previsto em outro lugar. Na orelha do livro, justifica-se a ousadia do título, na esteira da undécima tese contra Feuerbach. Apel também se aproveitou da idéia. Mas vejo agora que não precisava sofrer por isso. Em 1992, ao pedir uma bolsa ao DAAD, tive que escrever apenas página e meia de um “programa de trabalho” na Alemanha. Vejo agora que ali já aparecia a perspectiva da transformação: com Habermas, dizia mestre Borges, estaria ocorrendo uma “transformação da teoria crítica em teoria da racionalidade”. Whatever it means. O chato é que os colegas que estudam Adorno – e muitas vezes se prendem a ele como a um guru – considerem esse movimento como degeneração, deturpação, traição, etc. Não se trata de nada disso. Para entender melhor, caro leitor, compre e leia meu livro. E ajude-me a esgotar a primeira edição. (BORGES, Bento Itamar. Transformação da Teoria Crítica: a conversão de Habermas ao paradigma discursivo. Uberlândia, EDUFU, 2010 – WWW.edufu.ufu.br fone 34 3239 4293)
18. Além desse adendo na historiazinha de um livro de filosofia publicado no cerrado deste mundo globalizado, convém lembrar que o blog é um work in progress e que novos episódios e peripécias podem vir, tipo “edição esgotada”. Além disso, foi providencial esse acréscimo de itens, que já somam dezoito. Senão, poderia rolar a insinuação de que este devoto digitador houvesse forçado a barra para fazer de suas tripas uma herética coroação de espinhos e glórias. Se tivesse sido mantida a quantidade original de paradas – 14 (quatorze ou catorze) –, alguma mente maldosa e com um mínimo de cultura de sacristia talvez visse uma via crucis em minhas jocosas lamentações de intelectual de província. Not quite. Em desagravo cautelar, adianto que eu não via as coisas assim, embora goste de cantar os versos de Evaldo Braga: “sinto a cruz que carrego bastante pesadaaaa”, até porque a torcida costuma ver tanto as pingas que tomo quanto os tombos que levo. Agora, que ninguém me venha com  rasteiras, pois mineiro também roda a baiana e solta a voz nas estradas.
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ASSUNTO NOVO: BIO-ÉTICA PRA BOI NÃO DORMIR


TEOLOGIA DE PARACHOQUES: QUEM AMA NÃO DÁ CHOQUE


Um gaiola na BR 153, cheio de bois engordados para o abate. O boiadeiro para de vez em quando e confere a carga. Se algum boi dobrou os joelhos e deitou no piso quadriculado de caibros e mal forrado de palha de arroz, leva um choque capaz de fazer o animal aprumar. O boi deve viajar de pé ao lado de seus vinte e poucos colegas nelores de tantas arrobas. O animal não pode se ferir no piso e nem ser pisoteado por outros, nas curvas e freadas. Não se pode estragar a carne e nem o couro. Quando entram no caminhão e, depois, por causa dos choques, os animais cagam verde, de medo e de dor. Na foto, vemos que o estrume cobriu o verbo de ligação, que não faz muita falta: lemos e entendemos rapidamente "DEUS ... AMOR". Os bovinos são pessoas simples e não entendem bem como pode ser isso: se o caminhoneiro acha que seu Deus é amor, como pode levá-los para o açougue e chamá-los de carcaça? Na Índia, de onde vieram, vacas são sagradas. E, embora possam ser usadas para puxar carroça e arado, são objeto de culto e adoração. Alguns indianos matam galinhas com faca, mas quem são as galinhas, afinal, perto de uma vaca sagrada?


                                           
 Estas deram sorte e ficaram lá na India, na Ilha de Vishnu e Shiva


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Semana passada, na UFU, uma mesa-redonda sobre direitos dos animais. A nova mestre Spacek; Leo, o arguidor da casa; Darlei, o arguidor que veio de longe e Alcino, o orientador. Parabéns a nossa aluna, que fez bom trabalho e quis ir mais longe ao propor conciliação entre modelos e nomenclaturas. A impressão que tem o ouvinte comum é que no campo da ética há inúmeras teorias e posições, de tal modo que cada um pode montar seu kit ou menu: sou abolicionista, mas não aquilo outro ou sou a favor disso mas não radicalizo tanto, etc. E não se trata de ajustes meramente nominalistas, nem de hipocrisia. Pelo contrário, é louvável a atitude dos colegas Léo e Darlei (não fiquei para o debate e não me refiro à tomada de posição do moderador Alcino), pois demarcam claramente coisas do tipo: sou contra o aborto por causa disso e daquilo, mas não pela "sacralidade da vida" (Léo). E a audiência tampouco reagiu a isso, com resmungos ou aplausos ou ranger de poltronas. E Darlei já admite maturidade bastante para relatar que evoluiu de uma postura coginitivista para uma moderada postura "falibilista", pois agora vê que não podemos justificar coginitivamente nossas atitudes morais. Não sabemos o que é verdade nesse campo complexo de opiniões movidas também pelos sentimentos mais imediatos de compaixão, sobretudo pelos pobres coelhos de laboratório chorando com o xampu e gatinhos abandonados a miar em busca de um dono amável. Mas, lembrou Léo, esses amigos queridos, inclusive sua querida gata Mila, comem ração fabricada com a carne de terceira dos bois que vão naquele caminhão de Goiás para São Paulo e de lá, para churrasqueiras e panelas.

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Darlei atualizou sua posição na bioética para uma certa mistura de cuidado e respeito: um "cuidado respeitoso" ou um "respeito cuidadoso". Essas duas medidas podem se distribuir assim: um caçador nas savanas africanas corre atrás de um cervo o dia todo. Ambos estão cansados. O animal se entrega, ajoelha e deita-se ofegante. O caçador pede desculpas e diz que sua tribo precisa comer (não apenas inhame). Um golpe de misericórdia e outras frases de efeito ritual, em respeito ao nobre comportatmento da caça, que lutou bravamente e cujo espírito voltará ao deserto e vai por aí, conforme documentários da BBC e o filme Os deuses devem estar loucos. Ora, o caçador manifestou respeito pelo animal, ao mesmo tempo que se sente encarregado de cuidar de sua família de gente, da tribo, que carece de proteína. Essa bela cena não tem muito a ver com nossa conturbada vida capitalista, pois as fábricas de leitões e frangos não dão chance para conversas com milhares de animais quando são castrados, alimentados na marra e abatidos em esteiras rolantes. O respeito, quando muito, ficará restrito ao transporte - menos agressivo, por exemplo, sem os choques e em caminhões estofados, quem sabe.

Enfim, a conversa com o animal caçado, antes do golpe, não chega a constituir uma ética, mas funciona como etiqueta. Assim também fere a etiqueta quem fala de cenas de matadouro durante uma refeição. Quem não come carne não deve ir a churrascos. E quem come deve pensar seriamente em mudar seus hábitos alimentares, por essas razões éticas e por outras (contra o desmatamento, por exemplo).

Todavia, por enquanto, uma elevada lição de etiqueta (acadêmica, inclusive) foi exibida naquele evento acadêmico, senama passada, quando cada participante da mesa sobre direitos dos animais expôs suas convicções. Essa transparência é boa e louvável, pois não se trata de blefar, de querer parecer mais radical do que de fato cada um consegue ser, nesse mundo maluco dos negócios e da publicidade, que é também o dos hospitais e escolas, onde atuam comitês de ética. E é "um mundo de incertezas" onde, todavia, florescem algumas virtudes.

Eu, que não posso contribuir muito com a bio-ética, mas quero criticar também isso, digo aqui, para seguir esse belo exemplo dos colegas: não sou vegetariano e não crio animais para abate... no momento. Mas já tive umas vaquinhas à meia com meu irmão, que alugou umas terrinhas. Foi no tempo do Presidente Sarney. Vendi minha parte para pagar o empréstimo compulsório de um carro novo. Fiquei no prejuízo, mas não com tanto remorso assim. E eis a marca da sociedade, que guardo como lembrança de alguma coisa ambígua, como tantas outras nesta vida.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O MAU GOSTO EM CURITIBA E ADJACÊNCIAS

HISTÓRIA DA FILOSOFIA – CAPÍTULO 997


“O feio, o ruim e o falso”. Isso pode parecer título de um filme de caubói espaguete, mas é apenas o negativo dos três grandes valores de nossa cultura metida a universalidades: o belo, o bom e o verdadeiro.
Em 2001 e 2002, estava este filósofo do cerrado muito livre e cheio das idéias, ou seja, em licença de pós-doc. Podia fazer o que lhe desse na web e mesmo trabalhar por encomenda. Topou. Os caras da psicologia da UFRGS – e os psicanalistas – em torno do colega e guru Caon estavam lendo e falando de “O império do grotesco”, que é o mundo da mídia e título de um livro, onde caberiam Chacrinha, Ratinho e todas as paniquetes e jackasses.
Este blog continua com o plano de contar a história da filosofia universal, ou seja, as peripécias dos textos publicados por seu sub-escritor (sic e cpf), o filósofo do cerrado. É história e tem data marcada aí. Lugar: entre Porto Alegre e Santa Maria, com passagem pelo Museu do Prado, na Espanha, e pela Bahia de Gregório, o Boca do Inferno.
Então, vejam, caros principiantes, como funciona a filosofia no mundo em que vivemos e nos Brasis dos contrastes: é permitido pesquisar por encomenda. Sim, senhores. E sem ganhar grana alguma. (Um dia volto à carga, mas é que os sacanas da agência não deram bolsa para esse pós-doc! Foi na raça e na meia-porção de galeto com polenta e taça de vinho sem marca...)
Mas... e o prazer? O gosto de entrar no jogo e de ver umas cem carinhas loiríssimas olhando para o palestrante, meio assustadas. Pois, além de apresentar aos psi da capital da gauchada, levei o ensaio a um evento de estética, na UFSM , Santa Maria. Aí, ao falar das mulatas, do erotismo e da musa praguejadora de Gregório de Matos Guerra, levantei os olhos do paper e só vi loiras e galegos com olhos azuis arregalados.
O ensaio foi longe, até o Kitsch e um chute, um salto por conta própria: a função crítica do grotesco, do mau gosto, do feio, etc.
Quem quiser ler, pode encontrar o texto no site da turma da psi, cujo título misterioso é Mars Gradivus. Parece que foi a inauguração da página, tipo número 1, ano 1, em 2002. E por muitos tempos foi o endereço mais visitado no Google para o tema “grotesco”.
Dois anos depois, o texto foi publicado na revista da PUC de Porto Alegre, a Veritas. Fazia minhas pesquisas naquela instituição, onde obtive o certificado de pós-doc. Fez sentido publicar lá.


Para um futuro que já vem apitando na curva, ficaria bacana uma versão ilustrada, pois há muitas referências a artes visuais e imagens, em geral.
Além de contar a historinha desse texto publicado, caberia aqui um adendo, uma atualização.
O español Goya foi uma figura muito importante para o acervo de imagens grotescas e para dar estofo aos que buscavam uma teoria do grotesco. Conhecemos algumas imagens chocantes com cenas de guerra. A mais apreciada pelos filósofos, inclusive, quem sabe, os cartesianos e kantianos, é essa, com gatos que se transformam em corujas e morcegos.
OS MONSTRUOSOS SONHOS DA RAZÃO

O professor Ernildo Stein é um dos tantos que citam essa bela gravura. Agora, fica ainda mais clara a inteligência e a loucura de Goya. E precisamos registrar aqui um convite e uma ressalva:

Vejam no Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, a exposição da série de gravuras de Goya. São umas oitenta gravuras, feitas e publicadas há uns 213 anos. Sempre trazem um título e, na exposição, uma explicação, uma contextualização da crítica, do deboche, do escracho, em torno de megeras, bruxas, demônios e sonhos.
¡OLHA O GOYA NO MUSEU DO OLHO!

Curioso é que a primeira de todas essas gravuras seja... um auto-retrato. Goya se inclui na série de devaneios sobre o feio, o assustador, o sórdido, o lúgubre, o nojento.

Ora, isso puxa uma anedota a mais e uma promessa. Nossa colega de ofício, Imaculada Kanguçu, a Leca, hoje na UFOP, às vezes referiu-se a meu nome e sobrenome, seguidos do aposto, “o grotesco”. E eu gostava. Curti.

A promessa: vou em breve imitar o Chico Goya e fazer mais uma gravura, com cena que ele teria gostado de ver, numa praia brasileira. Com mulata digna de Gregório, o desbocado.

O GROTESCO NÃO É TOSCO.

EIS O Y DA QUESTÃO,
ANTES DE UM EISBEIN
NO BAR DO ALEMÃO

onde, aliás, podem os maiores tomar um chopp batizado com Steinhager...
Nesse caso, um gostinho bom.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CAIAS NA ESTRADA E PYRIGAS VER

SESSÃO TECNOPUNK

1. Maravilhas da tecnologia: com a nanotech e quem sabe as células-tronco, poderão os empresários da doença realizar grandes curas, antes impossíveis: poderão fazer cego andar e aleijado falar, etc. (por enquanto, só ratos de laboratório conseguiram algum progresso, mas eis que surge um gato faminto e...)

2. Transformers: garrafa pet vira blusa e dá novo sentido a um sinônimo de cachaça: Blusa engarrafada (mais, sobre a ética mitigada da garrafa plástica para conter cachaça, tipo Pedra 90, pois o coitado do cachaceiro pobre nao pode tropeçar e quebrar a garrafa tão chorada... E nem pode se ferir nos cacos. Um grande bem, um avanço, já que os caras nao vão largar da marvada. Aliás, não vamos, colegas.

3. Filosofia da ciência (essa dá charge!): o problema com o acelerador de partículas é... "cadê o freio dessa joça?"

4. Nao basta amar a sabedoria. Como se diz em bom grego "ojeriza diante da burrice"? Exemplo: tem algo mais imbecil que um carro blindado conversível? O do John Kennedy era... E que tal um carro anfíbio conversível? Tem base imaginar o motorista com escafandro? Conta outra, vai.

5. Cinema surdo: Fellini tava bêbado. Nem tudo do gênio é genial, o filme "Julieta dos espíritos" é uma besteira, uma piada mal realizada, um desfile de chapéus enormes, mas sem a poesia de Amarcord ou o painel da society em La Nave va... Ou estava aprendendo ou já estava caduco ou bebeu demais.

6. Nem tanto. O disco da Daniela Mercury, “Canibália” , inclui a cantiga do Belchior: “como nossos pais”. Aí já é demais, pois nem índio faria isso com os velhos. E dizem que no pólo norte quem comeria nossos pobres pais em fim de linha seria o inocente  urso.

Depois dessa, "saudações polares".