Não, meus senhores; não farei piada com o tipo de morte que se encontrou com Jarbas. Aqui não é lugar para piadas e paródias de mau gosto.
Well, mas posso, sim, especular sobre a espécie de Passarinho a que ele pertencia. Tinha algo do papagaio, pois viveu muito e gostava de prosear na tribuna e admirava uniformes verde-oliva. Podia camuflar-se, à la mode do urutau, pois embora fosse um baita conservador - na turma dos reaças - lograva esconder-se sob as penas do liberal, do intelectual. Mas conviveu com falcões e abutres, desde seu início de carreira militar até seu cargo de Ministro (da Justiça!) no pífio governo de Collor.
Não, Jarbas Passarinho não interessa a esta coluna. O assunto aqui é filosofia. Subtema: de como a filosofia brasileira não prospera (um dos motivos). Para ser breve, jogarei tópicos. Também por falta de conjunções e ressalvas.
1. O filósofo Antônio Paim, que apoiou a ditadura militar, escreveu prefácio pra livro de Jarbas, sobre presidencialismo,
2. O filósofo Tiago Adão Lara escreveu e publicou tese sobre o tradicionalismo católico em jornais de Pernambuco, século XIX,
2.1 O orientador de Lara foi Paim;
2.2 Lara, ex-padre, foi um aguerrido militante dos direitos humanos em Uberlândia (militares e policiais não costumam apoiar essa causa);
3. O filósofo do cerrado escreveu duas ou três resenhas sobre livros de Paim (e criticou linha conservadora dele e de outro jovem conservador ligado a ele, José Maurício);
3.1 o mesmo blogueiro que agora digita coordenava um certo Núcleo de Cultura Latino-Americana, na UFU, quando Paim veio para conferência (pouco depois dos prolegômenos, Tiago também se afastaria dessa configuração "latino-americana" - não era bem aquilo);
4. Paim criou e dirigiu um Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro, que publicou enciclopédia com filósofos, sociólogos deste país;
4.1 Paulo Freire não consta dessa lista (nem Jacob Gorender ou qualquer socialista);
4.2 Lindolfo Collor, pai ou avô de Fernandinho, sim, está na enciclopédia (escreveu o quê?)
4.3 O livro foi publicado pelo Senado Federal, quando ACM o presidia.
(...)
N. O filósofo do cerrado não tem inveja nem ciúmes; jamais espera entrar para a enciclopédia desse CDPB, pois mal conseguiu entrar no prédio da sede, pra ver a biblioteca. Fica em Salvador, lá embaixo, ao lado do elevador que leva ao Pelô. De bermudas eu não poderia entrar no sagrado depósito de livros. Ainda bem 1: o porteiro dispunha de um pijama horrível, com elástico, dentro do qual me meti e fui sapear o acervo (circa 2008); ainda bem 2: mulheres - sobretudo baianas - podiam, sim, entrar de bermuda, de shortinho minúsculo... Quem seria contra? O blogueiro aqui é que não, mermão. E eu lá sou?...
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Sorry. Não vou ilustrar este post. Sem graça como essa história toda.
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terça-feira, 5 de julho de 2016
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Heráclito era o nome do sujeito
Este blog talvez ainda volte a nosso encarte “Notas sobre literatura”, pois não só de adornos importados faz-se a filosofia. E, à guisa de manifesto solitário, anuncia-se uma direção: literatura regional. Sim, da região do cerrado, tipo “ação entre amigos” sem sorteio de fusca nem de vaga em academia de letras. Borboleta, Jorge dos minicontos, Bar Glória, Mano Ciro, Popó e alguns outros caras e livros estão nessa galeria, tipo “o que ando lendo”, além de gringos.
Por enquanto, masquemos isto: O monstro de Capinópolis. Era um fantasma? Era um ET? Ou foi apenas um inocente útil, que assumiu crimes praticados pela ditadura militar?
Diversas mortes – de pessoas e bezerras – na região do Triângulo Mineiro assustaram a população, no início dos anos 70. Quem já se entendia por gente lembra-se disso. Depois da prisão de Orlando Sabino, uma foto do coitado foi exposta por aí. Ficou preso uns quarenta anos.
Agora, ano passado, o jornalista Pedro Popó, ilustre filho do Rio Bagagem, lançou seu livro sobre nosso famoso serial killer. O monstro de Capinópolis refaz o trajeto de Orlando Sabino, que passou por nossa terra, inclusive Tupaciguara.
Dona Enedina ouviu a leitura salteada do livro. Coisa de se ler em uma tarde, com café e biscoito. Destaque para os trechos mais conhecida dela e do Véio Olavo: do Entre Rios até Centralina. Pausas para comentar e lembrar dos conhecidos (e de outras histórias mal contadas do tempo da ditadura, por aí).
De repente, Dona Nedina interrompe o leitor, para corrigir o relato de Popó:
- O nome desse homem era Heráclito. Heráclito, irmão da comadre Fulana.
Vai aí uma dica para a próxima edição do apreciado livro do Popó: errata – de Eraco para Heráclito.
Pois vejam só: este filósofo do cerrado começou este blog contando de sua infância entre deuses e sábios gregos. Em sua pequena cidade importante, o dito cujo convivia com nomes tais: Aristóteles, Ulisses, Jove (vulgo Júpiter), Homero – eternizado na mítica figura da “Mariinha do Homero”.
Aristóteles moía milho pra fazer fubá. Ulisses tinha máquina de beneficiar arroz. E agora Dona Nedina revela o pré-socrático Heráclito, envolvido nessa regressão ao terror pânico de um matador meio lelé que comia quilos de açúcar. Fora razão, parece que matava movido por uma carência de glicose. O monstro matou alguém conhecido de Donedina. Uma co-madre.
E eu com isso, perguntará algum leitor? Cá pra nóis, o risco era grande, pois Seu Olavo era justamente o cara que fazia rapadura e açúcar mascavo. Tinha um engenho Stamato puxado a cavalo. Vai daí que este filósofo do cerrado foi, que nem o Zé Lins, um menino de engenho.
Engenhoso é revelar-se aqui e agora que Dona Enedina, que recuperou o nome Heráclito, vem a ser a mãe do Filósofo do Cerrado. Aos 81, arribando com vontade e bom humor, a memória está firme. Quantas histórias não escritas, ainda em tempo de ouvir dela. O que muda e o que permanece, minhas caras gregas. Era e ainda é.
http://www.correiodeuberlandia.com.br/mododever/2011/12/14/o-monstro-de-capinopolis/
http://uipi.tv.br/musicvideo.php?vid=dd1b3b16b
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